
Da palavra latina “patior” que significa SOFRER, derivou a palavra que todos conhecemos “PAIXÃO”
“O despertar de uma paixão” é um filme de 2006, ambientado na década de 20 na China, e estrelado por Naomi Watts e Edward Norton.
Dr. Walter Fane (Norton) é um bacteriologista, pesquisador do governo inglês, que está PRESTES a ir morar na China. Ele, porém, passa por uma situação que, sem dúvida, TODOS NÓS já passamos, e a grande maioria AINDA SONHA PASSAR NOVAMENTE. Ele se apaixona perdidamente. Cataclismaticamente, abruptamente. AMOR À PRIMEIRA VISTA!! Nada mais romântico.
A sua flechada cupídinea acontece durante uma festa londrina, em que ele observa Kitty (Watts) descendo uma escada. Os traquejos, as feições faciais, a forma elegante de se locomover, fazem o Dr Fane, pronta e inexplicavelmente terem A APARENTE CERTEZA que ele havia encontrado quem ele tanto procurara. Assim mesmo, apenas ao vê-la descer a escada. Como se fosse um segundo mágico, miraculoso.
Como ele tinha pressa, devido a sua viagem iminente para a China: partiu para o ataque para tentar conquistar seu mais novo desejo.
Por outro lado, nossa protagonista, uma jovem inglesa superficial, egoísta e mimada não sentiu a mesma PAIXÃO arrebatadora. E mesmo sem haver uma mutualidade na PAIXÃO, aceita o casamento porque estava sendo pressionada pelos seus pais a casar-se.
Uma frase marcante do filme é a proferida por sua mãe nesse momento:
“Por quanto tempo você ainda espera que te sustentemos”
Pois é. Mulher custa caro mesmo. E como diz Xandinho do Aviões do Forró: “mulher é luxo. Só pra quem pode mesmo”. E para as ainda solteiras de plantão, quase “pra titia”, que ainda moram na casa dos pais, é uma preocupação AINDA presente, porém em proporção bem menor que em outras épocas. A preocupação de ainda estar sendo sustentada pelos próprios pais.
Mas enfim, eles se casam e vão a China. Num relacionamento fadado ao insucesso, pela não total reciprocidade da paixão. É tanto que logo Kitty termina ficando encantada por outro homem e se envolve numa intensa relação extraconjugal. Intensa, avassaladora. Ela estava completamente APAIXONADA. E isso justificou a traição para sua consciencia.
Mas eu pergunto a vocês: será que o relacionamento deles estava fadado ao insucesso mesmo? Se formos olhar pelos olhos da PAIXÃO decerto que sim. Mas por outro lado, vejam só: Dr Fane, era médico (mas poderia ser qualquer outra profissão que proporcionasse uma perspectiva de futuro financeiramente estável), responsável, bonito, carinhoso com a esposa, educado, que a amava absolutamente. Era uma pessoa CHEIA DE VIRTUDES.
O problema é todo esse: FICAR APAIXONADO e todos os sentimentos que o envolvem é uma das MELHORES sensações do mundo. TODOS aqui já passaram por isso. Ou não é? Tem sentimento melhor do que de repente se perceber com falta-de-ar, coração acelerado, ansioso, nervoso ao extremo, e, às vezes, apenas pela simples visão de outro se aproximando? TODOS aqui QUEREM passar por isso. Por dentro todo ser humano é igual: impaciente, sonhador, iludido... Só que os mecanismos responsáveis por deixar alguém nesse estado onírico ainda são cheios de misterios. Todos aqui conhecemos a bem-sucedida frase do filósofo Blaise Pascal que define muito bem essa situação: “O coração tem razões que a própria razão desconhece”.
Porém, aonde eu quero chegar é: Será que a maneira mais eficaz para se encontrar o parceiro DA SUA VIDA, é esse: Achar que ele vai aparecer na sua vida numa paixão avassaladora?
Ou NÃO É dessa maneira que a maioria das mulheres espera o seu príncipe encantado?
Voltando ao filme...
Dr Fane descobre as traições de sua esposa. O que seria suficiente para justificar um pedido de divórcio, e proporcioná-la uma destruição moral e social para a época. Mas, para a surpresa do filme, ele não dá nenhum piti e ainda planeja algo pior para ela. Ele aceita um emprego como médico, num vilarejo longiquo, paupérrimo, e violento da China, onde praticamente toda a população está morrendo de cólera. Tamanha pobreza, tamanha desgraça humana, além do risco inerente dela própria contrair a cólera, seria decerto uma punição bem mais severa para a “burguesinha” Kitty.
E é justamente no ambiente inóspito desse vilarejo que o filme começa de fato.
Vale ressaltar que ambos agiram motivados pela PAIXÃO. Ele quando a viu descendo a escada, invadido pela falsa certeza, e não medindo esforços para tê-la como esposa. E ela ao se aventurar numa relação extraconjugal sem futuro justamente porque não conseguia parar de pensar no amante.
Cada vez mais me convenço disso: quando você norteia suas escolhas da vida APENAS (apenas!) pelos olhos da PAIXÃO, as possibilidades de “dar merda” são muito grandes.
No ínicio da nova vida no vilarejo, Dr Fane não consegue superar o desprezo e a distância que a traição conjugal da esposa criou entre eles. Além de ao conviver mais com ela ter podido enfim conhecer a pessoa mesquinha que ela era. E ela se sente inútil naquele ambiente em que nada pode contribuir, e com o marido ignorando-a completamente.
Porém com o tempo as coisas começam a mudar. Por um lado, ela começa a ficar fascinada pelo o caráter e o trabalho abnegado do marido, e tenta aos poucos uma reaproximação, fazendo-o refletir sobre como o modo do ínicio do casamento foi errado. Casar sem conhecer a fundo a pessoa, suas verdadeiras qualidades sem supervalorizações, tampouco seus defeitos. Casar com a ilusão cruel do outro possuir qualidades inexistentes.
Numa dessas reflexões, Kitty, profere, para mim, A FRASE DO FILME:
“QUEM DISSE QUE A MULHER SE apaixona PELAS VIRTUDES DO OUTRO”
Não existe frase mais certa mesmo. Decerto, se apaixonar não é fruto de lógica matemática. Não é fruto de uma simples análise de virtudes e qualidades. Até seria bom, se fosse assim. Mas ninguém se apaixona porque ela é educada, veste-se bem e é fã dos Los Hermanos. Apaixona-se pelo cheiro, pelo mistério, pela paz que o outro lhe dá, ou pelo tormento que provoca; pelo tom de voz, pela maneira que os olhos piscam, pela forma como ela prende os cabelos, pela fragilidade que se revela quando menos se espera
A paixão simplesmente aparece e pronto, sem avisos prévios. Porém, UMA COISA É SE APAIXONAR E VIVER AQUELES SENTIMENTOS MÁGICOS, na maioria das vezes efêmeros. Por outro lado, É DESEJAR VIVER UM AMOR PRA VIDA TODA. Paixão sempre acaba, e isso SIM é uma certeza matemática. SEMPRE. Em algumas situações, ela acaba e dar lugar a um verdadeiro amor pra vida toda. Sem dúvida, essa é a forma de amor que todos que almejam construir uma sólida família, sonham em viver: começar com uma paixão avassaladora e terminar com um amor sereno, tranquilo, respeitoso, reconfortante.
Mas como todos sabemos, a maior parte das situações não é assim. O que vem depois que uma paixão acaba, na maioria das vezes são brigas, desrespeitos, confusões, indiferenças. Por isso, os inumeros namoros que começam e não dão certo.
As pessoas DECIDIDAMENTE não sabem escolher seus próprios parceiros.
... voltando ao filme...
Durante os difíceis momentos no pobre vilarejo, os dois ao se conhecerem melhor, qualidades e defeitos, terminam, vejam só, se amando loucamente. Daí o título em português “O despertar de uma paixão”, ao invés do título em inglês que destacava a traição do casamento.
Temos que concordar que esse amor dos dois ocorreu apenas por PURA SORTE! A esposa que só depois passou a se encantar com as virtudes já existentes do marido, e este que da mesma forma se apaixonou pela pessoa que ela mesma nem sabia ser, ao se descobrir com qualidades incríveis naquele ambiente inóspito
(daí a sorte).
Por isso, se você espera que se seu príncipe encantando venha na forma de uma paixão deliciosamente encantadora não se queixe depois se não der certo. Será mera questão de sorte o sucesso deste relacionamento.
Atente para o mais importante: taquicardia, palpitações, pensar no outro o dia inteiro sem parar como se fosse um TOC, não são os indícios mais fidedignos que ele é a pessoa certa para você. SEM DÚVIDA, podemos afirmar que NAQUELE MOMENTO não existirá pessoa que lhe fará MAIS FELIZ do que ele. Mas provavelmente uma felicidade passageira, enquanto durar a paixão.
Mas e afinal quais são os indícios mais fidedignos. Só existe uma pessoa que pode responder isso, você mesma. Só você sabe as coisas que mais procura no outro, assim como os defeitos que menos consegue tolerar. As qualidades que mais me atraem, particularmente, as deixei expostas no texto anterior. Mas um bom termômetro para saber se vai dar certo a relação, e isso serve para todos os casais, é analisar a qualidade da conversa entre vocês, se você não sente o tempo passar, se passaria horas conversando com a tal pessoa.
Por isso, NÂO SEJA BURRO, não se permita apaixonar-se por alguém que você pouco conhece. A chance de “dar merda” é alta.... depois você vai estar sofrendo, ILUDIDO, por um “amor” que nunca daria certo... e você se sentindo “mal-resolvido” por algo que nem vale a pena....
Tente inverter a ordem natural das coisas. Escolha a pessoa pelas virtudes, e só depois “pague pra ver” se surge uma paixão avassaladora daí....
E por isso o motivo real desse texto
....
Você não me causa mais palpitações, não me dá taquicardia. Falta de ar? Nem um pouquinho. (ta bom, ta bom, só um pouquinho) Não penso mais em você como antes, como um TOC, todo dia e o dia todo. E sem dúvida, sendo bem sincero (redundante falar isso), você não é a mais bonita, nem a mais inteligente, ou a mais simpática, tampouco a mais rica que eu já tive um relacionamento. Mas se sobressai pelo conjunto da obra (como você mesma falou e não deixou eu terminar a frase). A mistura onírica de suas várias qualidades a transformam numa pessoa deliciosamente peculiar e interessante. E ainda mais quando sob efeito de duas doses de vodka. Sem falar nas qualidades que eu mais gosto: seu bom-humor, e o prazer incrível de passar horas conversando contigo.
Airam adraude ed anecul ojuara....at an aroh ed somralup asse ariemirp esaf
Um comentário:
Fantástica reflexão sobre o que é o amor. És um verdadeiro romancista, muita sensibilidade e percepção
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