quarta-feira, 20 de fevereiro de 2008

Do cheiro aos APRENDIZADOS E AO....



Era uma terça-feira. Ensolarada terça-feira. Por volta das três e trinta da tarde. Calorenta três e trinta. Hospital Santa Joana, Bairro do Derby, Recife, Pernambuco. Sangrava e chorava sem parar num misto de dor, medo, tristeza e perplexidade....

... Conforme você já deve ter lido na primeira parte deste texto (http://carpediemismo.blogspot.com/2007/09/do-cheiro-aos-parte-i.html), o relato acima, ao contrário do que a princípio poderia sugerir, referia-se, na verdade, a desprazível experiência de meu nascimento, 28 anos atrás. Bem, desagradável, decerto, não aos olhos dos familiares, mas apenas aos meus olhos como recém-nascido, porquanto, como mostrei, não é mesmo nada fácil a passagem por canal tão angustiantemente estreito.

De qualquer forma, minha hora tinha chegado. Havia nascido. E o engraçado que desde meus primeiros momentos começou a me acompanhar um sempre presente (ainda hoje) amiguinho meu: o número 3. Vejam bem: nasci numa TERÇA-feira, dia TRÊS de julho, às TRES E TRINTA da tarde (não me espantaria se descobrisse ter nascido exatamente às 3:33, e a enfermeira por mera comodidade ter arredondado para as 3:30.), pesando 3300 gramas (3333?), e medindo 53 cm de comprimento. Sem falar que foi justamente no exato dia que minha mãe completava 39 semanas de gestação, no TERCEIRO andar de um hospital que havia inaugurado precisamente há 33 dias (Hospital Santa Joana, 31 de maio de 1979).

Coincidências?! Ou uma provável obsessão paranóica como em Walter (Jim Carrey) e sua obsessão de Fingerling pelo número 23, no filme homônimo? Vou deixar isso pra lá, já que o propósito deste texto não é esse mesmo; mas o que é afinal?

O que – VOCÊ – teria para ensinar, hoje, a seus filhos??

Bem. Tudo começou com uma de minhas incontáveis curiosidades (realmente pareço uma eterna criança de 7 anos: por quê? Por quê?), e como gosto de aproveitar a vida dia após dia, resolvi contar o número exato de dias meus já vividos. E pra minha surpresa havia superado a estrepitosa marca dos 10mil dias. E você? Sabe quantos já viveu?

Por esse motivo, a foto com os símbolos XCCXCIII na primeira parte deste texto: são algarismos romanos e equivalem a 10.293 dias de existência, desde meu nascimento (desde aquele CHEIRO da minha mãe) até o dia 7 de setembro: dia em que a publiquei. Pelo mesmo motivo os símbolos XCDLIX da foto acima. Mas para uma pessoa que se propõe, como eu, um aproveitamento intenso da vida em cada um dos seus dias não surpreende tanto assim saber quantos dias já viveu.

Você a essa altura já deve ter arrastado a barra de rolagem e percebido assustado como esse texto é grande. Caso não tenha feito isso, é provável que faça agora após eu ter comentado. Porém, prometo que vou tentar não tornar o restante tão enfadonho, para, quem sabe, você leia-o até o final sem perceber.

Vamos lá....

O que eu aprendi nessa vida? Ou o que – EU – ensinaria aos meus filhos?

Bem, poderia começar falando sobre um monte de coisas banais. Como, por exemplo, a comer alface sem cortá-la (tem que fazer uma trouxinha), senão fere a etiqueta, segundo a “imprescindível” Gloria Kalil; a não tirar catota (meleca) na frente dos outros; que não devemos nunca ser sinceros ao ressaltar um defeito de alguém, sobretudo com as mulheres; que ao ver alguém espirrando, não se pode falar “saúde” (novamente Gloria Kalil); que papel higiênico não entope privada se for bem dobradinho, sem falar no nojo de colocá-lo no baldinho. Ensinaria, ainda, a quando levar bananas numa sacola, colocar as maduras por cima; que numa mesa temos que ter cuidado com os cotovelos: nem em cima da mesa, nem no ar muito lateralizados para não invadir o espaço alheio; que as portas públicas são todas imundas, tanto as dos bancos, dos selects da vida, ou dos cinemas; a melhor forma, então, é abri-las quando possível empurrando com os pés. Exagero? É nada. Vocês têm que entender que os homens, na sua maioria, são todos uns imundinhos, eles vão ao banheiro e não lavam as mãos direito, ou seja, naquelas portas públicas têm, por tabela, uma quantidade incalculável de gorduras de “pintos” nelas. E o pior: uma estatística fica contra você – em média, pegamos no próprio rosto, sem perceber, 2 vezes/hora – ou seja, pegamos na porta imunda e depois levaremos àquelas gorduras íntimas ao próprio rosto. Argh!

Poderia, ainda, explicar as diferenças entre o burro, o asno e o jumento; ou entre uma fazenda, uma chácara e um sítio. Ou explicar sobre constelações, ou sobre por que a semana tem sete dias, e o motivo do nome de cada dia da semana. Ou, ainda, explicar por que os passarinhos não levam choque nos fios de alta tensão, como também para que serve aquelas bolinhas laranjas neles....

Como falei, poderia começar falando sobre inúmeras coisas banais, mas não vou fazê-lo. Acho que vou começar falando um dos ensinamentos mais valorosos que aprendi na vida inteira: o modo como aprendi a mastigar de boca fechada!!

Na verdade, não é tão notável o ensinamento em si, mas o método como aprendi, sim. Mudou minha vida completamente, porque através dele eu pude –e ainda posso – mudar a mim mesmo. Quem me ensinou? Minha irmã Karina, quando eu tinha uns sete anos. Naquela época talvez ela nem soubesse a grandiosidade da sua lição. Veja como aconteceu (relatarei o nosso diálogo na íntegra):

– Júnior (naquela época esse era meu nome), você está comendo com a boca aberta e isso é muito feio.
– Eita! Foi mal, não tinha nem percebido que estava mastigando assim.
– Faça o seguinte: toda vez que você for comer fique se lembrando em manter sempre a boca fechada, que assim você vai ficar mastigando corretamente.
– Oxe, mas toda vez eu vou ter que ficar me lembrando em comer de boca fechada é?
– Ai que está o segredo. No início você vai ter que ficar lembrando, mas com o tempo, você vai mastigar só de boca fechada e nem vai mais perceber. Fica automatizado.


Ingenuamente simples, mas muito genial. Já que você pode abranger esse método para inúmeras outras coisas da sua vida.

Por exemplo, quando era mais novo vivia levando topadas com freqüência. Vira e mexe era uma topadinha. Foi quando percebi que tinha um jeito de andar que favorecia isso (um modo de pisar errado) e passei a tentar mudá-lo por causa disso. Como? Pelo mesmo método de Karina: no começo, conscientemente, fazia o andar que eu queria (pisando sempre pelo calcanhar) e com o passar do tempo já estava andando assim inconscientemente, como ando até hoje. Outro exemplo, quando estava no início da faculdade comecei a perceber que um amigo meu, Bacelar, tratava as pessoas diferentemente de mim: ele sempre era mais educado, mais afável e mais atencioso; e em retribuição as pessoas eram também mais carinhosas com ele, do que quando se dirigiam a mim. Diante disso, passei a desejar tratamento semelhante, e comecei a tratar as pessoas com mais educação e carinho. Mais uma vez pelo método de Karina: no início conscientemente, e inconscientemente a seguir. Hoje, por exemplo, eu já as trato assim sem perceber, esse tratar diferenciado passou, inclusive, a já fazer parte de minha própria personalidade... mas, como falei, nem sempre foi assim: eu precisei mudar meu jeito, e uma forma eficaz de você mudar qualquer característica sua é através daquele método.

Recentemente, último exemplo, eu já abusado de ficar perdendo os bilhetes dos estacionamentos dos shoppings, comecei a me habituar a colocá-los sempre no mesmo lugar (meu bolso esquerdo), e agora já estou na fase em que os guardo por lá sem perceber. Realmente, esse método pode ser usado em inúmeras situações distintas: desde as mais banais do cotidiano, até na mudança de suas próprias características mais importantes, como sua ética, seus valores.

Poderia chamá-lo de método de Karina, se já não fosse reconhecidamente um ensinamento Aristotélico, o qual está presente no livro Ética a Nicômaco: “As qualidades morais do ser humano precisam ser praticadas até tornaram-se um hábito”

Enfim, começa-se praticando forçadamente até depois estar agindo tão naturalmente quanto o próprio ato de respirar.

E essa seria a primeira coisa importante que ensinaria ao meu filho. Após 10mil dias, é de se esperar que muitas outras coisas, ainda, tenha a ensiná-lo. De fato:

Sobre relacionamentos

Que infelizmente mesmo sem querer você vai magoar e vai se magoar com alguém de que você gosta muito. E que amizades de anos, antes aparentemente indestrutíveis, do dia pra noite podem se acabar; amigos são importantíssimos, mas eles vêm e vão.

Que muitas vezes pra se ter MAIS em um relacionamento você precisa fazer MENOS. Está gostando da namorada? Está com vontade de falar com ela o tempo todo? Se você se render ao impulso instintivo de ligar pra ela o tempo todo, vai acabar repelindo-a, é necessário dar um pouco MENOS de atenção, ligar um pouco MENOS pra ela. A lógica é meio ilógica, concordo, mas com o tempo aprendemos que para mantermos os relacionamentos é assim. Senão, corre-se o risco, de ao ficar no “grude”, acabar nem dando tempo da saudade dela por você começar a surgir.

Sobre Dirigir

Dirigir é um tédio. Não dá pra dirigir coladinho na traseira do carro da frente; não dá pra furar sinal vermelho quando estiver com pressa; não dá pra passar por algum cruzamento e não olhar pra os dois lados. Mas nem umzinho? Não. Ademais, que passar a primeira marcha é um saco, sobretudo na intermitência dos engarrafamentos; que de madrugada todos os sinais são vermelhos; e que não adianta nada passar anos sendo quase perfeito e em alguns segundos por um simples descuido colocar toda sua reputação a perder, até porque, às vezes, perde-se muito mais do que uma simples reputação.

Que o simples “entrar no acostamento” das estradas com o carro acima de 60km/h é perigosíssimo: o pneu pode furar (pai de Rommel), o tanque de combustível pode estourar (no meu caso, hehehe), ou até destruir o tão falado carter, que só Ele sabe do que se trata.

O bom cirurgião, por exemplo, tem que saber duas coisas que o ato de dirigir diretamente ensina, a saber: na dúvida, não ultrapasse; e não adianta ser perfeito mil vezes, se você se descuidou um segundo e errou feio uma vez.

Aos 15 anos, no início de meu aprendizado automobilístico, quase bati uma vez porque fui ajeitar o som do carro com este em movimento. Coloquei toda a minha atenção focada para o problema do som (a mascara – frente do som – não queria encaixar), quando voltei minha atenção para a rua, já estava numa iminência de uma batida. Meu coração foi a mil. Ainda bem deu tempo de consertar meu erro, mas por alguns segundos ainda fiquei sentido aquele frio que percorre o corpo inteiro sempre nas situações mais desesperadoras. O engraçado foi que depois desse susto nunca mais cometi o mesmo erro: sempre que preciso fazer alguma outra coisa com o carro em movimento, deixo um olho na estrada e o outro no porta-luvas, no som, seja onde for. E o mais estranho que ainda hoje, 13 anos após aquele susto, quando preciso tirar minha visão da rua pra ajeitar qualquer coisa no carro me lembro daquele momento. Sempre.

Quantos acidentes eu não evitei por conta daquele susto?

Daí, indiretamente, terminei aprendendo algo que vou ensinar ao meu filho: como aprendemos muito com nossos próprios erros! Muito mais até do que com os nossos acertos. Mas será que precisamos experimentar todas as formas possíveis de erros para aprendermos tudo?

Sobre como aprender com os erros alheios

A maioria das pessoas infelizmente aprende com mais freqüência quando erram elas próprias. No entanto, considero muito mais inteligente você aprender com os erros alheios. Como? Tentando vivenciá-los mentalmente como se fossem seus próprios. Um exemplo, há dois anos que vivia com freqüência viajando pelas BRs, e sempre ouvi histórias de pessoas que bateram o carro, e até morreram, na traseira de algum caminhão. Por isso, sempre procuro manter uma distancia extremamente segura, como se eu já tivesse passado pela experiência desagradável de já ter batido, mas sem nunca ter acontecido.

Aprendi que o mais inteligente é de fato saber evitar o acidente... porque muita gente tenta apenas a aprender o modo certo de dirigir, e quando ela está certa, torna-se um pouco incauta. Está dentro da lei e se despreocupa. Por exemplo, vai passar um cruzamento e só por estar com preferencial não quer nem saber: como se ao bater, o fato de a preferencial ter sido sua diminuísse o estresse da batida. .... e os dias sem carro? A dor de cabeça de voltar a depender de alguém? E se o culpado não pagar o seguro?

Um amigo meu, voltava da Fashion (do recife antigo) a noite pela Av. Domingos Ferreira, estava no banco de trás. O carro dele passou por um dos cruzamentos, e como o sinal estava verde, o motorista nem se preocupou em diminuir. Outro motorista, vindo da rua perpendicular passou com o sinal vermelho também em alta velocidade. O acidente foi inevitável, só meu amigo morreu. Mas eu pergunto: o acidente era inevitável mesmo???? O que adianta estar dentro da lei (por ter atravessado quando o sinal estava verde) se do acidente resultou a morte de pessoa tão querida, se motorista “certo” poderia ter tido uma postura mais cautelosa?

Por isso, eu considero ser muito mais inteligente do que está certo no transito é saber ter a inteligência em evitar os acidentes....

Sobre a felicidade e a inteligência

Que não é muito inteligente criar muito expectativas para as coisas do cotidiano, uma vez que muitas vezes deixamos de valorizar algumas coisas justamente por isso. Decerto, com o tempo percebe-se que felicidade muitas vezes está vinculada à superação de expectativa.

Um exemplo, aqui em Recife, existem algumas churrascarias, citarei duas: Fogo na Brasa, uma mediana; e o Boi Preto, uma das melhores. Fui a primeira sem nenhuma expectativa e me surpreendi com a qualidade do serviço, terminei achando ótimo. E quando eu vou ao Boi Preto é porque já desejo esperar tudo do melhor, e às vezes posso nem achar assim tão maravilhoso, só porque me descontentei com alguma coisinha. Ou seja, só pela questão da superação de expectativa posso terminar achando ótimo o serviço mediano do Fogo na Brasa e nem tão bom o ótimo do Boi Preto.

Outra coisa fundamental, e que demora certo tempo pra se entender na essência é a verdadeira definição do que é ser inteligente. A meu ver não tem nada a ver com QI, com capacidade de memória, mas pela “... arte de tornar a vida mais agradável e feliz possível” nas palavras de Arthur Schopenhauer.

Enfim, é isso. Sabedoria pra mim é a difícil tarefa em tornar sua vida o mais agradável possível, encarando-a com leveza, aproveitando os seus momentos como se fossem os últimos... como se vivêssemos em despedida.

Sobre sua própria postura

Ensinaria que beber é um instrumento deveras socializante, mas é mister saber o ponto ideal, e que não há vantagem alguma em se passar desse ponto. Perde-se a festa, fica-se muitas vezes desagradável, inconveniente, ou até impossibilitado de conversar com alguma paquerinha se for o caso; além de causar amnésia alcoólica no outro dia, e a indesejada ressaca.

Que é possível viver apenas só falando a verdade, a evitar o máximo o vício de ficar mentido (vicia mesmo, de repente a pessoa se vê mentindo em coisas que nem precisava). Ensinaria a ser verdadeiramente honesto, a prezar o verdadeiro e sincero caráter, e a praticá-lo diariamente, e não apenas quando tem alguém nos olhando, já que as pessoas quando não estão sendo observadas, mudam completamente, geralmente pra pior.

A não deixar de fazer alguma que vá se arrepender. Ainda me lembro bem o dia em que passei boa parte da noite numa boate querendo conversar com uma garota. Faltou coragem, “mas” eu quase fui lá umas quatro vezes. E ainda consigo sentir, hoje, mesmo mais de 10 anos após, o gosto amargo na garganta ao deitar naquela noite pela frustração de não ter ido. Um incômodo que prometi nunca mais iria querer sentir. Naquele dia aprendi que um fracasso por ter tentado é mais digno, conforta mais, do que a frustração por ter sucumbido ao medo do risco.

Que das pessoas é bom esperar o melhor, mas se preparar para o pior. Que as pessoas inerentemente são meio invejosas com o sucesso alheio, e regozijam-se com a desgraça dos outros. Você pode fazer certo alguma coisa mil vezes e ninguém vai elogiar; mas faça errado uma vez que com certeza essa pessoa vai contar pra no mínimo outras três, e essas que nem presenciaram vão contar pra outras três e não raro, ainda, aumentando o fato ocorrido. Por isso, sempre é bom ter cautela quando se julgar as histórias contadas sobre outrem.

Tentaria ensinar que não se deve julgar ninguém pela aparência e a encarar todas as pessoas como iguais, independente de cor, condição social ou credos. É um ensinamento dos mais difíceis, sem dúvida; e, por isso, talvez fosse melhor ensiná-lo através de aulas práticas, onde eles aprenderiam ao me ver tratando com a mesma cordialidade, desde um milionário a um mendigo. Os filhos imitam os pais mesmo.

Ensinaria que saber falar com as pessoas é uma verdadeira arte. Já que uma linguagem corporal é muito mais importante do que as palavras em si. O modo como você fala uma coisa é fundamental. Até simples presentes tornam-se mais especiais, quando dados de modo diferente. Por exemplo, você pode dar um buquê de rosas pra sua namorada e ela vai se deliciar, até porque toda mulher gosta disso – mesmo que, às vezes, ela nem saiba nem o porquê (mas qualquer retardado pode fazer isso, não exige muito do encéfalo, é só ir à loja e comprar) – ou você pode conseguir a chave reserva do carro dela e enchê-lo com 50 rosas, mais alguns chocolates e um cartão bem escrito, que ela com certeza jamais vai esquecer. São as mesmas rosas, mas o resultado é totalmente diferente.

Que um erro grave é tanto se julgar mais do que se é quanto se estimar menos do que se merece.

Ensinaria também a cuidar diariamente da sua pele (cuidado com o sol diário), com sua coluna (olha a postura) e com os joelhos. Eles, sem dúvidas, são umas das principais fontes de desprazer na terceira idade.

.....

E quando eles soubessem de tudo isso acima passaria a tentar ensinar o mais importante

Sobre as coisas mais importantes

....

(to be continued)

sábado, 16 de fevereiro de 2008

TOP 21



O carnaval é a festa mais aguardada durante o ano por muitos de nós brasileiros. Como o meu caso, por exemplo. E todo brasileiro que gosta de carnaval tem um sonho em comum: conhecer o carnaval da Bahia. Novamente, meu caso. Confesso que, na verdade, apenas a partir do ano 2001 – quando foi proibido aparelhos de sons nas casas em Olinda – esse sonho passou a ser cada vez mais evidente em mim. E a partir do início deste ano todo o universo parecia estar conspirando a favor de realizá-lo – e da melhor forma possível: acompanhado dos melhores amigos, não conhecidos que se uniram por uma mera fatalidade para viajar, mas os meus melhores amigos do dia-a-dia.

A história já começava a ficar interessante justamente aí. Ademais, é engraçado perceber até aonde o ser humano é capaz de ir quando está mto focado em algum objetivo. Vejam bem, quando todos os membros de nossa trupe – composta por 6 amigos –confirmaram a viagem, todos entraram espontaneamente numa rigorosa preparação quase digna de uma olimpíada. Éramos 6 sedentários e/ou tabagistas inveterados que de repente estávamos realizando, cada um, uma alimentação balanceadíssima, kms de corrida diariamente na esteira e, para alguns, ainda, até algumas festas pré-carnavalescas foram poupadas; outros, inclusive, utilizaram até métodos questionáveis como uma amalucada mentalização chinesa em que se deveria visualizar toda sua gordura corporal se derretendo, e isso durante rigorosos 28 (?) dias seguidos....

Por tudo isso, inevitavelmente, uma expectativa e uma ansiedade cada vez maior foram aumentando. E isso é até pouco salutar porque poderia atrapalhar nosso discernimento sobre o carnaval, já que toda sensação de prazer está vinculada à superação de expectativa.... e quando se está com muita expectativa sobre alguma coisa, você pode acabar sub-valorizando algo que é inerentemente espetacular.

Enfim, chegara o dia. Domingo de carnaval. Fomos os 6 no mesmo vôo da Gol. A viagem inteira demorou apenas quatro dias e mesmo após tantas expectativas, não tenho dúvidas, conseguiu, ainda assim, superar a de todo mundo. Viajar com vários amigos sempre é muito bom, e por isso foram quatro dias inesquecíveis. O carnaval de lá realmente faz jus a fama que tem. É extremamente divertido, seguro e muito bem organizado. E por tudo isso passei a concordar com Bell do Chiclete: “não morra sem conhecer o carnaval da Bahia”.

E com o intuito de eternizar alguns dos momentos mais marcantes dessa viagem resolvi selecionar, após uma rigorosa avaliação, os 21 principais acontecimentos, sejam frases ou fatos marcantes. Para dessa forma poder dividir nossa alegria com o restante de nossos amigos que não puderam ir, como também dificultar o processo inexorável e deletério que o tempo tem em algumas preciosidades em nossa memória. Vamos a eles:

Antes é necessário esclarecer alguns termos que serão usados:

O verbo Malvadear – pode ser usado em várias situações. Quando a pessoa se perdeu, ou está dando uma atenção excessiva ao cabelo, ou está muito bêbado no fim de alguma festa (vide splintear)

O Verbo Splintear – Em alusão ao lendário rato Mestre Splinter das tartarugas ninjas. Que é utilizado quando a pessoa está num estado alcoólico muito avançado.


21

“Me dá essa moeda... me dá esse cigarro.... me dá um golinho... me dá esse chiclete.... me dá.... me dá...”

Dos cordeiros mais pidões do mundo, tirando todos do sério e, em especial, o representante mais estressado do nosso seleto Grupo dos Estressadinhos: Malvado, que por muito pouco não teve um piti frente à admiravél pedintaria obstinada e incansável dos referidos cordeiros (eles são brasileiros e não desistem nunca)

20

“Vamos começar a levar ré?”

O capitão do nosso time encorajando a todos a saírem daquela inércia coletiva abordativa. Com uma sobriedade alcoolizada nos fazendo perceber que era preferível levar "ré" de um monte de gatas a ficar com aquela postura estagnante, marasmática e quase melancólica.

19

“Ei, ei... eeeiii acooordaa!!. Me empresta 30 reais que o taxista está lá embaixo esperando”

Malvado malvadeando splinteado às 6h, acabara de voltar sozinho de taxi. Detalhe que o percurso de Ondina até o nosso hotel dava mais ou menos 13 reais, e o taxista se aproveitanto do precário estado de nosso amigo resolveu se aproveitar.

18

“Tenho o camarote Salvador da terça-feira por 850 reais.” Um cambista oferecendo a Leozinho o camarote, na frente da sede do camarote Salvador

“Tá ótimo (?). Vou querer” Leozinho, demonstrando todo o sua argúcia e habilidade como negociante, e sua capacidade espantosa de ser persuadido sem contestar. Detalhe que minutos depois Vilaça conseguiu o mesmo camarote por 700 reais.

17

“E aí, e aí, já pegou as negas”

Do vendedor de cervejas para Malvado após vê-lo splinteado tentado experimentar o tempero que uma baiana afrodescendente tem.

16

“Que porra é isso Leozinho?!!”

Gildo e Malvado em uníssono, imediatamente após entrarem no quarto 202, onde encontrava-se APENAS Leozinho e terem suas narinas invadidas por uma inhaca fecalóide e nauseante que exalava por todo quarto. Os dois correram desesperados para tentar se refugiar abrindo a janela (isso mesmo, ela estava fechada). E após uma tomada de ar puro, os dois se viram para trás, testas franzidas e olhos arregalados, denunciando o pânico de não acreditar como alguém poderia ainda estar vivo naquele quarto, e ao olharaem para Leozinho que repousava impassível na cama, este com um sorriso entre os lábios, falou: “Tranquilo. Hehehe”

P.S. Nosso amigo Leozinho pós-carnavalescamente tentou se justificar: "Eu não fui CUlpado por aquele cheiro fecalóide no quarto, mas o verdadeiro CU lpado ou foi Arabaiana ou Xico, que momentos antes de Gildo e Malvado terem entrando no quarto, haviam utilizado o banheiro com fins evacuativos". Mas Leozinho, retrucamos, isso não explica como você estava aguentando bem "tranquilo" aquela inhaca assustadora, ao que ele respondeu: "É que eu estava com nariz entupido, e nem tinha percebido a fetidez" Ahhhhhh, então, tá.....

15

- “Malvado me dê meu cinto!”

Gilton solicitando a devolução de seu cinto não no hotel, mas em pleno camarote Salvador. Detalhe que Malvado sempre muito minucioso, estava se achando o máximo usando-o em sua indumentária, já que o mesmo ficava aparecendo. E para nosso amigo isso estava proporcionando a ele o máximo da balaca.

Malvado, então, tristemente o devolveu.

“E aí Malvado sua auto-estima caiu?” Leozinho já pressentindo a angústia por que deveria estar passando nosso amigo ao ter toda a harmonia de sua vestimenta desfeita

“Despencou” Malvado cabisbaixo, em tom sério e funéreo

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“Se formos somar as idades das meninas que Sandro pegou nesse carnaval vai dar 854 anos”

Gilton fazendo um comentário pertinente

P.S Sandro, inclusive, mandou avisar que no carnaval do ano que vem a meta dele será abrir o carnaval com a querida TIA ZILÚ, musa da terceira idade do carnaval de 2008, que estará com 96 anos...

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“Olhe eu quero lhe falar que estou com esse monte coisas aqui mas não sou viado não, viu?”

Gildo explicando para o amigo de Vilaça, dono da lancha, que já estava achando estranho por que iria disponibilizar sua lancha para 6 homens, sobretudo por que um deles estava cheio de colares e pulseiras mto suspeitas.

A explicação é que Gildo foi o único que fora ao pelourinho, e nessa ida cruzou o seu caminho uma baiana bastante astuta, e a mesma o persuadiu a comprar vários colares (pra ele e sua família) no tempo recorde de 5 minutos. Sem ter onde guardá-los, restou descer do pelourinho com todos em seu corpo: dois colares no pescoço, um colar vermelho todo enrolado no pulso e outro marrom enrolado no outro pulso. Uma combinação deveras suspeita.


12

Vc paga quanto pra trabalhar aqui?”

Gildo para o marinheiro da lancha, acreditando que valesse a pena até pagar pra trabalhar naquela orla de Salvador.

11

“Cadê Malvado?”

Umas das perguntas mais ouvidas em nossa jornada. Realmente nosso amigo autista tinha uma capacidade absurda de desaparecer.

Na mais impressionante delas, ele conseguiu a façanha de se perder em menos de 3 minutos logo após termos chegado no bloco ME ABRAÇA do segundo dia. Detalhe que chegamos todos juntos e estávamos ainda lá atrás onde qualquer pessoa conseguiria nos encontrar, ou melhor, quase qualquer pessoa...

10

Oww Vilaça esse negócio de esnobar mulher não dá certo com a gente não. Dá certo com Malvado, Leozinho, Gilton, que têm cabelo liso, mas com a gente não dá certo não”

Xico em mais uma de suas mirabolantes teorias.

9

- “Powww arrrrrrrsssssss traeghhhh”

A sonoplastia da queda de Malvado no barranco da lama “molhada” (Estava molhada, mas não chovia. Que coisa!). Ainda estava na metade do percurso Barra-Ondina, e nosso amigo estava completamente melado de lama de cima a baixo, e o pior que ele ainda teve que ouvir as risadinhas dos canelais que presenciaram todo o seu rolamento morro abaixo.

Ainda bem que no último dia eles voltaram a se encontrar e fizeram as pazes direitinho (foto abaixo)


8

“Leozinho deixa de ser falso”

Gildo desmascarando o joguinho de nosso amigo.

Momentos antes, em torno de meio-dia, nosso grupo, pra economizar um taxi, foi dividido: Gilton, Xico e Malvado, continuariam descansando no quarto do hotel no ar-condicionado, enquanto Gildo, Leozinho e Vilaça iriam pegar um taxi e ir até o Aeroclube tentar realizar a troca dos abadas em prol de toda a equipe. Detalhe: fazia em Salvador àquela hora em torno de 33 graus, com uma sensação térmica de bem uns 38 graus. Simplesmente insuportável. E pra piorar tudo no Aeroclube o nosso abada do Me Abraça está pessimamente cotado.

Após 1h 30min de negociações infrutíferas, naquela sauna ao ar livre, e vislumbrando o insucesso na missão, resolveram voltar ao hotel. No percurso de volta, receberam várias críticas por telefone do grupo que continuou no bem-bom do hotel, o que fez todos no carro, ensopados de suor, ficarem revoltados. Passaram o restante do caminho inteiro no táxi até o hotel reclamando de como os meninos do hotel eram folgados e individualistas.

Ao chegar no hotel, porém, a surpresa.... Vilaça Bufando de raiva, Gildo sem falar nada com ninguem, e nosso amigo Leozinho, um dos mais exaltados no carro minutos atrás, conversando com os meninos amigavelmente, fazendo um joguinho para parecer sempre o tranquilão. O que não foi perdoado por Gildo.

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“Reunião de cúpula agora!! Todos os membros aqui”

O capitão Leozinho convocando todos para uma preleção do nosso grupo durante o camarote Salvador.

“Eu quero dizer que acho q Malvado e Gildo são, do nosso grupo, os que mais têm chance de ter sucesso aqui no camarote com as meninas. Por que estão numa pinça melhor que os demais”

Todos ficaram meio atônitos sem entender muito a lógica daquele comentário. Parecia até Xico em mais um de seus devaneios surrealistas. Com a interrogação expressa no rosto de cada um, Kaká se estimulou a continuar

“Vejam bem. Malvado está com um ar meio despojado à semelhança de Paulinho Vilhena e Gildo é forte e moreno com ar de playboy carioca. Nós pobrezinhos estamos lascados, Xico tem cara de matuto, Gilton parece um playboy paulista, Vilaça sua, e eu to muito branco e magro”

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Mais uma do frasista Leozinho, dessa vez explicando como reconhecer as fases do splinteamento de Malvado:

Fase Inicial: Ele começa a se perder do grupo com facilidade
Fase Intermediária: Ele passa a não se preocupar com o estado do seu cabelo
Fase Crítica: Ele começa a cambalear lateralmente, no estilo "só no sapatinho", e a ficar em pé de modo instável

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“Que porra é essa Leozinho”

Todos pensando ao mesmo tempo ao ver nosso amigo desfilando COM NATURALIDADE pelo quarto com uma de suas cuecas boxer das mais antigas, cuja eficiência do elástico já não era mais a mesma, o que associado com seus microroliços cambitinhos davam um aspecto um tanto grotesco àquela sua vestimenta e àquela cena

4

“Arabaiana (codinome baiano de Vilaça) se passar mais uma semana aqui, vai virar uma baiana e vender acarajé na praia”

Gildo ao ver Vilaça paramentado com praticamente todos os itens possíveis que se podem adquirir num percurso de trio elétrico. Malvado depois nos ensinou, com seu vocabulário sempre rico e preciso, que se tratavam de penduricalhos. Ao nosso amigo realmente só faltavam uma saia e um turbante de baiana, porque o resto ele já estava expondo, compunham em sua indumentária os seguintes acessórios: três lenços enrolados no braço, dois pares de algemas da Skol (isso mesmo, ele não se contentou com uma apenas), 8 colares de filho de Gandhi, 4 colares da Skol, um chapéu do cowboylino, uma camel bag nas costas, e um crachá do camarote da globo do galo da madrugada (????).

E nesse momento em que a frase foi proferida nosso amigo estava tentado conseguir seu quarto lenço...

3

Estávamos no camarote Salvador, precisamente na boate que ficava no quarto andar, o grupo inteiro reunido. Como ainda estava muito cedo (2:00 aproximadamente) resolvemos descer para ver os trios-eletricos passarem e só subir quando todos tivessem passado. Até aí nada demais. Só que pra chegar ao terceiro andar, era necessário descer uma escada, uma escada traiçoeira. Durante o carnaval, já tínhamos presenciado muitos caindo naquela escada. E toda vez que alguém escorrega numa escada eu me lembro de um show no Classic Hall em que eu mesmo caí umas cinco vezes, e não tem nada mais desagradável do que numa festa sair descendo quicando com a bunda uma escada até embaixo.

Com aquelas lembranças trágicas em minha mente fui liderando a fila do nosso grupo rumo ao terceiro andar. Ditava um ritmo cauteloso na descida, íamos em duas filas indianas, lado a lado, à esquerda estavam eu na frente, Leozinho e Malvado atrás; na fila da direita, um degrau acima, estavam Xico, Gilton e Vilaça, respectivamente. Imediatamente à nossa frente iam duas meninas também descendo lado a lado. Temendo presenciar a queda de alguma das duas bem a minha frente, resolvi alertá-las sobre o grande perigo que estavam correndo:

- Ei, tomem cuidado que essa escada é muito traiçoooooeeiii.....

Exatamente no instante em que terminava a minha frase, por trás de mim, ouço um estrondo: “Poww trreehggtttt” E antes de pudesse ver o que estava acontecendo, senti um misto de voadora assassina e de carrinho de futebol desleal (tipo com as travas da chuteira levantada), dois pés fortes como um míssil, em minha batata da perna. O impulso foi tão forte que fez minhas pernas irem para frente e para cima (em direção ao meu peito) com violência. Passei voando entre as meninas e fui cair de bunda, uns três degraus abaixo, e graças a uma certa vantagem anatômica familiar: quiquei! E o quique foi tão forte que fui parar já quase em pé mais uns três degraus abaixo numa velocidade tão grande que só me restou terminar a descida correndo.

Foi tudo tão rápido que ao chegar lá embaixo pude presenciar o que ainda estava acontecendo: Leozinho, ainda quicava escada abaixo, a mão esquerda tentando se segurar como podia no corrimão, e a direita segurando um copo que ele inconscientemente tentava salvar sua dose de Stolichnaya como podia, tudo em vão,já que estava voando vodka pra todos os lados.

Por trás dele, outro personagem fazia a outra leitura possível daquela cena, além da forma trágica como sentimos eu e Leozinho. Malvado com as mãos nos joelhos, tronco fletido, olhos marejados, ria e gargalhava sem parar...

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Quarta-feira de cinzas. Todos bastante tristes e desolados pelo fim do tão aguardado carnaval. Mal sabíamos àquela altura que aquela aparente melancólica quarta-feira coroaria todo nosso carnaval com chave de ouro.

Um amigo de Vilaça tinha oferecido sua lancha para passearmos na orla de Salvador, e ele havia nos pedido pra nos encontrarmos com ele no píer da “Bahia Marina”. Ao chegarmos lá, deparamo-nos com uma bifurcação. Indecisos, fomos pedir, então, informação com um segurança quem encontrava-se bem a frente da tal bifurcação:

- “Ohh amigo, o píer é pra lá” Vilaça perguntando todo estabanado como qualquer pernambucano e apontando para um lado qualquer

“Depeeeenndeee. Teeemmmm ummmm píerrrr pra cá (apontando "calllmaaamnennte" pra um dos lados)........ e ouuuutro praa láaa" (apontando pra o outro lado). O segurança anônimo com a peculiar velocidade de falar e o jeito manso dos movimentos, típicos do baiano, que já estão nos dando saudades

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A frase vencedora e a ainda recheada de mistérios foi proferida por um membro do bloco Crocodilo (bloco GLS de Daniela Mercury) para um de nossos amigos. O nosso amigo estava na pipoca, splinteado, sozinho, parado vendo o bloco passar. Suas feições delicadas, sua barba provocativa e o seu olhar sério e sexy (ou tudo isso junto) estavam fazendo o maior sucesso entre os integrantes do bloco, que passavam e ficavam ouriçados com tamanho sexy appeal. Um deles, no entanto, não conseguiu mais relutar em resistir e com dificuldade atravessou o bloco inteiro para se aproximar de nosso colega quando num movimento rápido levou a mão até o queixo de nosso amigo autista e falou:

“Coisa LINda!!!”

O que se sucedeu após isso é um verdadeiro enigma, e que inclusive os outros membros da equipe não se atreveram a tentar decifrar, de certa forma até com medo do que pudessem descobrir.

Um detalhe, porém, é bastante sugestivo: nosso amigo (cuja identidade foi preservada) chegou ao hotel com sua camisa do bloco vestida ao contrário de forma que os dizeres “me abraça”, talvez até matreiramente, estavam voltados para suas costas.