sexta-feira, 16 de novembro de 2007

Rumo a Tóquio?



Pra quem ainda não sabe o ano conseqüente, 2008, será o ano do CENTENÁRIO DA IMIGRAÇÃO JAPONESA NO BRASIL. Além disso, os governos dos dois países decidiram também considerá-lo como o ANO DO INTERCÂMBIO BRASIL-JAPÃO. Várias festas serão realizadas. E alguns concursos promovidos também.

Num desses concursos, o governo japonês vai premiar com uma viagem de 10 dias para conhecer várias cidades no Japão, tudo free, para a melhor REDAÇÃO de até 40 linhas a respeito da relação entre o Brasil e o Japão durante esses cem anos.

Quem podia participar? Qualquer brasileiro entre 18 a 35 anos, e que no nosso caso nordestino iríamos concorrer com os participantes dos seguintes estados: Ceará, Rio Grande do Norte, Paraíba, Pernambuco, Alagoas, Sergipe e Bahia.

Soube desse concurso ontem à tarde. Essa era a boa notícia.

A má notícia que só poderia se inscrever até hoje, dia 16 de novembro. E após uma correria danada, sem nada a perder, resolvi participar, escrevi a redação e também resolvi publicá-la a seguir:

Será que tenho chance?

TÍTULO DA REDAÇÃO: 2008 – ano de centenário da imigração japonesa no Brasil. Dois países tão diferentes e com relações diplomáticas cada vez mais próximas.

Ao se abrir o mapa-múndi constata-se como o Brasil e o Japão estão em pontos opostos no planeta, a cerca de 18 mil quilômetros: a maior distância possível entre dois países; no entanto, essa imponente distância torna-se ainda maior no que concerne à cultura, à economia, aos valores sociais. É bastante salutar presenciar, contudo, como apesar de tantas disparidades mantêm relações diplomáticas tão fraternais. O ano de 2008 coroará emblematicamente essa sólida relação, porquanto se comemorará o centenário da imigração japonesa no Brasil.

Em junho de 1908 foi consubstanciado na prática o “Tratado de Amizade, Comércio e Navegação”, assinado entre eles 13 anos antes, quando o primeiro navio japonês – Kasato Maru – aportou trazendo 781 imigrantes. O que iniciou timidamente se agigantou ao ponto de hodiernamente compor, com um milhão e quinhentas mil pessoas, a maior população de imigrantes no Brasil e, outrossim, a maior fora do Japão. Neste país também não é diferente já que vivem por lá cerca de 270 mil brasileiros, uma população de estrangeiros inferior apenas a dos vizinhos coreanos e chineses.

Em quase tudo, porém, eles são povos bastante diferentes. Enquanto os brasileiros vivem num país presidencialista, de dimensões continentais, sem intempéries, e com 90% sendo cristãos; os japoneses vivem num arquipélago parlamentarista 23 vezes menor, onde há freqüentes terremotos, e 90% são adeptos do xintoísmo ou do budismo. Ademais, economicamente o Japão é exemplar. Diferentemente do Brasil, onde há fartura em recursos naturais, eles conseguem, através apenas de um excelente gerenciamento político e de um povo demasiado laboral, ser a 2ª economia do mundo. Sócio-culturamente, ainda, enquanto um deles há fascínio pelo futebol e o vôlei; no outro, há pelo sumô e o beisebol. Ademais, no Japão há a valorização de um código de ética, moral e honra austero, embasado na honestidade, nas tradições e no respeito maiúsculo ao próximo; por exemplo, não é incomum vê-los gripados com máscaras nas ruas: é o cuidado para não infectar outrem. Já no Brasil há certo estímulo subliminar ao improviso, à alegria, à desonestidade, às vezes, chamada de “jeitinho brasileiro”. Por isso, não é raro presenciar, por exemplo, enquanto pessoas jogam lixo para fora do ônibus, o motorista avançar o sinal vermelho assustando a todos os transeuntes.

Decerto, países bem díspares, mas que vêm, ao longo desses cem anos, estreitando suas diferenças econômico-culturais. Cada vez mais são firmadas cooperações econômicas em setores como produção, agricultura e mineração, o que contribui inconteste para um maior desenvolvimento entre eles. Na cultura, percebe-se similitude, como a recente popularidade do futebol no Japão e o apreço maior pelas músicas e culinárias brasileiras, como também o boom de sushis pelo Brasil afora.

Enfim, os dois países preparam-se para no próximo ano realizar as comemorações do centenário da imigração japonesa no Brasil. Com isso espera-se o fortalecimento ainda maior dessa já sólida amizade. E dessa forma intensificar ainda mais esse intercâmbio econômico-cultural para que no futuro as grandes distâncias entre eles restrinjam-se apenas àquelas verificadas nos livros escolares de geografia.

(FIM)

Já estou na torcida. Sempre quis conhecer o Japão, e podendo fazê-lo totalmente de graça e ainda com o suporte do governo japonês, aí seria um sonho...

sexta-feira, 9 de novembro de 2007

O beija-flor e o girassol



Tu és um pão com ovo e requeijão, és uma galinha à cabidela, és algumas couves-flores à milanesa;

Tu és a glória do triunfo pelo imperador romano;

Tu és o iniciozinho do fazer xixi quando se está muito apertado.

Tu és a sensação, num calor infernal, após um gole de coca-cola supergeladinha;

Tu és o ganhar na megasena. Acumulada;

Tu és flor olente.... e eu teu beija-flor insistente;

Tu és os acordes iniciais do show de U2 após 4 horas esperando;

Tu és o troco em big-big;

Tu és o barulho do mar;

Tu és um comprimido de neosaldina;

Tu és risada de criança;

Tu és a surpresa em ganhar o presente que sempre se quis;

Tu és um lago cheio de patinhos;

Tu és a passagem pelo purgatório;

Tu és o gol de Anderson na batalha dos Aflitos;

Tu és a tampa mordida da caneta bic;

Tu és um carro quitado;

Tu és o colo dos avós;

Tu és uma dose de Johnnie Walker 130 anos com red bull;

Tu és um ventilador no três no Sol de meio dia;

Tu és o cigarro e a soneca após o almoço;

Tu és o flagrar alguém te elogiando sem ele saber;

Tu és o primeiro andar de bicicleta sem as rodinhas;

Tu és o calor do sol de manhã cedinho.... e eu teu girassol apaixonadinho;

Tu és a figurinha que falta no álbum;

Tu és o barulho do estouro do champagne;

Tu és o paio no feijão;

Tu és um caminhão carregado de Mcflury;

Tu és um norte;

Tu és a camisa do Sport patrocinada pelo Trivela;

Tu és o passar no vestibular após 3 anos tentando;

Tu és o mestre dos magos, és descobrir o corujito escondido, és o "lá lá lálálálá LÁ lálálálá" dos smurfs;

Tu és meu TOC, meu vinho, minha droga, meu vício, desde o início;

Tu és meu nirvana, meu oásis, minha autarquia, meu Cullinan, meus campos Elíseos...

terça-feira, 30 de outubro de 2007

Cof, cof, cof e o Hahahaha



Cof, cof, cof. Argrgrgrgr. Cof, cof, cof. Sangue.

Estava caquético. Vivia solitário à penúria numa pobre cidade ao norte da Colômbia – Santa Marta. Tossia sem parar. A face suava. Sentia frio, fazia calor. Nem de longe lembrava a compleição vigorante de anos atrás. O espírito idem... Outro acesso de tosse. Nova expectoração com sangue, dessa vez mais intensa. Um fim melancólico marcava com ironia seu crepúsculo; logo ele, com tantas vitórias em sua biografia. Havia libertado cinco países sul-americanos do domínio espanhol (Venezuela, Colômbia, Bolívia, Peru e Equador), mas a essa altura seus pulmões deviam representar um desarranjo estrutural tão caótico que respirar passava a ser uma ação unicamente voluntária, e por vezes dolorosa. Nesse estado deplorável, após mais um acesso de tosse proferiu a frase que marcou o dia da sua morte. 17 de dezembro de 1830. A frase:

“A única coisa a se fazer na America Latina é emigrar”

Será que eu também estou morrendo de tuberculose. Talvez seja prudente se afastarem de mim. Não quero tossir bacilos de Koch em vocês. Mas é isso mesmo, tenho que encarar os fatos: não estou tossindo, tampouco caquético, muito menos venho perdendo peso... Realmente meu físico em nada se assemelha ao de Simon Bolívar em seus últimos momentos. O físico não. Mas espiritualmente a cada dia mais me aproximo do dele e me convenço que realmente “a única coisa a se fazer na America Latina é emigrar”.

A violência se banalizou. Está em todos os lugares, não mais na periferia, e como bem disse meu amigo Alexandre: “virou moda”.

E o pior nem mais nos importamos com ela. Nada é pior do que se descobrir indiferente às más notícias que saem diariamente nos jornais. Acostumamos-nos, tristemente.

Ela desvirtuou tanto nosso discernimento, que vibramos com a tortura e os excessos do filme Tropa de Elite.

Ademais, pagamos uma carga tributária arquejante. Só na Turquia o fardo é maior. São 27,5% de IR, 11% de INSS, CPMF, ICMS, IPVA, IPTU.... e a lista simplesmente não tem fim. E eles rindo. Bebendo vinho, fumando charutos, freqüentando prostíbulos, nos tratando como putas (e das mal pagas), trabalhando só três dias por semana, e ganhando, só para falar em relação aos deputados federais, 150 mil reais por mês (incluindo todas as suas regalias “legais”). São os mais caros do mundo. Somos, talvez, ricos e nem saibamos por manter com "luxo" esse lixo moral.

Fora que todos os produtos que compramos, dos chinelos aos carros, 40% dos seus preços, em média, são só de impostos. Quer comprar uma geladeira? Metade do preço dela é imposto que você vai pagar. Quer comprar feijão? Idem. Ou seja, além de todos aqueles impostos escancarados ainda pagamos vários ocultos em qualquer coisa que compramos.

Assim, somos ricos, porque pagamos impostos triplicados. Os públicos duas vezes (os escancarados e os ocultos) que são ineficientes, e pela terceira vez alguns privados pra remendar. Sejam escolas particulares para os filhos, planos de saúde para os pais, seguro para o carro – isso quando não o blindamos, previdência privada para o futuro.

E eles rindo.

E nós nos influenciando pessimamente. Já não temos bons costumes enraizados mesmo. Como, por exemplo, atitudes corriqueiras e algumas vezes cheias de hipocrisia que ajudam os criminosos. Como ficou evidente no filme citado acima.

Mas também são praticas condenáveis todas as que formam o “jeitinho brasileiro”, que permite uma convivência promíscua entre o legal e o ilegal. Seja desde besteiras como furar o semáforo vermelho, a colocar macacos pra roubar a luz dos vizinhos, até a querer se dar bem colocando água oxigenada no leite das crianças. Assim como àquelas atitudes famigeradas “feitas sistematicamente” no Brasil, dos desvios de dinheiro público, dos caixas-dois, dos superfaturamentos...

E o menino que mora na favela vai se espelhar em quem? Quem ele vai querer ser quando crescer? Ora, em quem? No dono da favela, em quem mais?! Veja bem ele é respeitado por todos, cobiçado por todas as meninas, só anda com trancelim de ouro, carro da hora.... assim como nós nem estamos percebendo como aos pouquinhos a desonestidade cada vez mais vai se incorporando ao nosso caráter. Lógico. Lula e Cia nos ensinam, que não adianta estudar, que o crime compensa sim, que somos Phd em impunidade, que afirmar ter ignorância em não saber do que acontece até responsabilidades que eram inerentemente suas. E nós? Quem vamos "querer ser quando crescer"??

Pensando bem, eles têm que rir mesmo.

Se bem que talvez eu só vá rir mesmo, quando muito longe daqui estiver. Quero fugir logo e interromper precoemente essa pos-graduação em desonestidade a que todos somos submetidos diariamente. Antes que seja tarde demais.

segunda-feira, 22 de outubro de 2007

É frevo, é frevo, é frevo!



"Mandou me chamar, eu vou
Prá Recife festejar
Alegria no olhar eu vejo
É frevo, é frevo, é frevo!"



Pra quem ainda não sabe a Escola de Samba Mangueira vai homenagear minha cidade, Recife, no carnaval de 2008 com o enredo:

"100 anos de frevo, é de perder o sapato.
Recife mandou me chamar....."

E ontem a noite foi decidido o samba-enredo oficial do desfile. Foram 4 candidatos e o vencedor foi:

Ao som de clarins
Descendo a ladeira
Sou Mangueira
Tem frevo no samba
Deu nó na madeira
Orgulho da cultura brasileira
A majestade é o povo,
Sem o povo história não há
Estende o brasão, reflete o leão,
Símbolo de garra e união

Capoeira invade os salões
Mascarados, despertam Dragões
E pelas ruas, vem Zé Pereira,
Arrastando a multidão

Nascia o frevo contagiando toda a massa
E até hoje tem colombina e seus amores
Passo no bloco das flores
O profano é sagrado no maracatu
Nos cem anos de história, desperto a alvorada
Brincando no Galo da Madrugada
Invade a cabeça, o corpo, embala os pés
Delírio da massa, um fervo!
É a Mangueira no passo do frevo
Voltei de sombrinha na mão
Sonhando em gritar é campeã.

Mandou me chamar, eu vou
Prá Recife festejar
Alegria no olhar eu vejo
É frevo, é frevo, é frevo!

(Compositores: Lequinho, Jr. Fionda,
Francisco do Pagode, Silvão e Aníbal )

E A BATERIA DA MANGUEIRA, EM JANEIRO, ESTARÁ POR AQUI NO CARVALHEIRA. A DATA AINDA FALTA CONFIRMAR. ATÉ LÁ, VAMOS DECORANDO

sábado, 20 de outubro de 2007

Ó Raios!


Há alguns anos, no fim de 2003, um discurso musicado ficou famoso no Brasil na voz de Pedro Bial. “Filtro solar” o qual pode ser visto ainda em www.youtube.com/watch?v=eJ2_hyEHAMo. Você deve lembrar muito bem dele, ele começava assim:

“Senhoras e senhores da turma de 2003.
Filtro solar.
Nunca deixem de usar filtro solar.
Se eu pudesse dar só uma dica sobre o futuro seria esta:
"use filtro solar"!
Os benefícios a longo prazo do uso do filtro solar estão provados e comprovados pela ciência! Já o resto de meus conselhos não tem outra base confiável além de minha própria experiência errante...”

O que muita gente não sabe é que ele foi apenas traduzido por Pedro Bial, o texto original foi publicado no jornal americano Chicago Tribune, numa crônica da colunista Mary Schmich, em 1º de junho de 1997 e entitulada por “Advice, like youth, probably just wasted on the young”.

Tudo bem, esses detalhes não são fundamentais para o propósito deste meu texto.

Como o dia 18 de outubro é considerado o dia de São Lucas e, por conseguinte, o Dia do Médico, resolvi trazer o caso de uma paciente minha que pode não só lhe interessar como também ser a prova materializada da crônica da senhora Schmich.

O caso é bem simples. Trata-se de uma idosa bem meiguinha chamada Severina. Uma idosa octogenária, agricultora aposentada, 15 filhos. Mas justamente o que eu quero destacar nesse caso, a foto dela lá em cima já o faz suficientemente bem. Na verdade, talvez essa foto não seja a que represente melhor o poder deletério e crônico dos raios UV sobre nossa pele. A foto a seguir deve ser melhor.

Nessa foto eu precisei intervir ao deslocar ao mesmo tempo a manga um pouco pra cima e a gola da blusa para fora, aproximando uma ao encontro da outra. O intuito era deixar amostra outra parte da pele da paciente. Assim poderemos comparar sua pele em duas situações: a primeira, por exemplo, a pele do antebraço a qual por ter estado sempre mais exposta aos raios solares tornou-se paulatinamente mais enrugada e grossa; e com a MESMA pele só que a do ombro a qual por ter estado protegida pelo tecido conseguiu preservar sua maciez e aprazibilidade, mesmo após 80 anos de vida!

Isso é tão evidente que no pescoço, por exemplo, há a marca enrugada em V causada pelos raios solares na pele sem a proteção da gola da camisa. Veja as setas menores.

Não vá concluir que estou fazendo apologia para utilização generalizada da burca afegã. Ao contrário, apenas estou ratificando o conselho da senhora Schmich quanto à importância do uso do filtro solar.

Talvez essa foto da minha paciente suscite, na verdade, que o uso do filtro solar não deveria se resumir às situações mais agressivas como as idas à praia eventuais, mas ao uso corriqueiro habitual.

E cumpre lembrar que a pele de Severina não ficou tão pregueada da noite pra o dia, se tivesse ocorrido assim, com certeza ela teria se precavido melhor, mas como essa lesão ocorreu gradativamente um pouco por dia ela nem deve ter percebido sua lenta transfiguração com o passar dos anos. Da mesma forma que já pode estar acontecendo, agora mesmo, com a pele de cada um de nós....

segunda-feira, 1 de outubro de 2007

A formiga, a ovelhinha e os lilliputianos.




Essencialmente pra refletir... e quem sabe aprender um pouco sobre humildade.

Restringir nossa atenção aos assuntos terrestres seria limitar o espírito humano."

(Stephen Hawking)



Procure uma formiga. Qualquer uma, contanto que a ache rápido. Olhe a sua volta. Vá! Agora!

Caso não haja nenhuma por perto, tudo bem, mas lembre-se de procurá-la após ler esse texto. Quando a encontrar observe cuidadosamente a evolução sossegada de seu lento deslocamento...

Você nunca deve ter parado pra pensar, mas ela nessa caminhada não está só. Ao contrário, junto ao seu corpo leva alguns bilhões de outros seres: bactérias e vírus, de todo tipo.

Volte a olhar a formiga, mas com essa nova percepção...

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Toscanejava refestelando-me num confortável espaldar quando a voz de Pedro Bial me fez despertar. Estava passando o Fantástico e a voz dizia: “Demoraram 14 dias pra que a notícia da morte de Abraham Lincoln, em abril de 1865, chegasse à Europa”. Na verdade, o que me fez despertar não foi essa informação em si. Mas um contraste de informações. De duas, na verdade.

A primeira. Como falei acima: os 14 dias! Imediatamente entrei na internet e descobri que até àquela época as informações só conseguiam atravessar o Atlântico em navios e 14 dias era justamente a duração da viagem marítima dos EUA ao velho continente. Os aviões, cumpre lembrar, só foram inventados em em 1906 e mensagens transmitidas à distância apenas tiveram início com os telégrafos na II Guerra.

A segunda. No mesmo domingo, só que mais cedo: à tarde. Estava navegando na página inicial do meu browser, a globo.com, quando uma atualização automática me surpreendeu pela agilidade da notícia: “Uma ponte cai no Paquistão...”, ao ler a reportagem fiquei sabendo que ela havia caído há MENOS DE UMA HORA, e o mais surpreendente era que já estavam disponíveis fotos nítidas de seus escombros. Uma hora, apenas! Sem falar que o local era, ainda, o Paquistão. Se fosse há alguns anos provavelmente nem saberia onde ficaria o Paquistão, muito menos o que estaria acontecendo por lá. Ainda menos de forma tão rápida.

Realmente é chocante. Há apenas cem anos era necessário um navio pra levar as noticias intercontinentais; atualmente, contudo, temos à disposição notícias em tempo quase real e, ainda, englobando locais quase remotos e inacessíveis. Uma diferença tão brutal, e em apenas 100 anos. Com esse contraste cheguei a uma das conclusões mais importantes em minha vida, a saber: vida inteligente evolui muito rápido!

Tentarei discriminar melhor o que eu quero dizer.

O universo “surgiu” com o big bang há cerca de 15 bilhões de anos; há 5 bilhões, a Terra. A existência de vida por aqui começou a se desenvolver há 3,8 bi com as evidências de fósseis microscópicos de bactéria e algas rudimentares. Pela grande complexidade de NOSSA ESPÉCIE o Homo sapiens sapiens só surgiu há apenas 125.000 anos; e agrupadas em civilizações só há 10.000 anos, com o fim da última era glacial. A partir daí algo assustador nos é revelado: nossa característica mais marcante. Uma capacidade extraordinária em evoluir. E muito rápido.

Você vai precisar mudar seus paradigmas, seus parâmetros, pra entender melhor o que eu quero dizer. Veja bem. Você tem entre 1,5 a 2 metros de altura, se locomove numa velocidade baixíssima além de ter uma expectativa de vida pífia na média dos 70 anos. E todas as medidas que fogem muito desses parâmetros nosso cérebro demonstra uma profunda limitação em nos fazer entender. Por exemplo, quando eu falo APENAS para os 125.000 anos de existência da nossa espécie, baseio-me nos parâmetros universais, para os quais 125 mil anos não são nada; em contrapartida para os parâmetros humanos (vida média 70 anos) é um período de tempo tão grande que por mais que forcemos nosso cérebro, ele é limitado em nos dar uma idéia dessa dimensão.

Talvez fique mais claro assim: quanto oito horas representam na vida de uma pessoa que viveu 100 anos? Praticamente uma noite de sono, o que é totalmente desprezível. Pois é a mesma proporção de 125 mil anos pra um universo que tem 15 bilhões.

Vamos observar laconicamente a evolução da vida inteligente terrestre.

Antes da escrita, na Pré-história, tivemos dois momentos: O PALEOLÍTICO (entre 2 milhões - 10mil a.C) e o NEOLITICO (entre 10mil - 4mil a.C). No primeiro passamos a dominar o fogo e a usar corriqueiramente utensílios de pedra. Éramos nômades e vivíamos em cavernas até que se esgotassem os alimentos. No segundo, surgem a domesticação de animais e a agricultura; e com estas, a moradia fixa em aldeias próximas a rios. E apenas agrupados em sociedades deu-se início ao avanço cultural e ao aumento populacional. E tudo isto se intensificou sobremaneira com...

O surgimento da escrita e, então, possibilita o primeiro grande salto no desenvolvimento, porquanto permite o armazenamento e a propagação de informações não só entre indivíduos, mas também por gerações. Ou seja, as gerações seguintes não precisavam “começar” culturalmente do zero, agora havia o legado registrado das anteriores.

A partir daí não serão mais preciso milhares de anos para se perceber mudanças importantes, mas agora em algumas centenas de anos já serão percebidos mudanças assustadoras. E com o passar do tempo, esse padrão se mantém: substanciais mudanças populacionais vão ser observadas em períodos de tempo cada vez menores.

Viajando por nosso passado, percebemos fatos curiosos nas várias etapas da construção de nosso conhecimento. Como tivemos momentos no passado em que, míopes pela ignorância, acreditamos cegamente em muitas BABOSEIRAS para o conhecimento dos dias de hoje. Da mesma forma que no futuro irão rir das coisas em que acreditamos hoje cegamente, que nem sabemos ainda ser grotescas.

Tudo isso porque aprendemos desde sempre que somos inteligentes. E nunca aprendemos a lidar com situações onde nossa ignorância está evidente. Nunca. Para diminuí-la sempre preferimos nos aventurar em explicar tudo. E sempre acreditamos cegamente nessas explicações. Fica mais confortável ser assim, dá menos medo do desconhecido. Em contrapartida, entretanto, tornamo-nos pedantes e prepotentes muitas vezes diante do que não compreendíamos bem e tentamos explicar. Por exemplo, tem coisa mais incoerente e inverossímil que acreditar em Deus, em vida após a morte, ou em tantas outras baboseiras que acreditamos hoje? Ou melhor, acreditar nessas coisas apenas com as refutáveis informações que dispusemos?

Exemplifico mais.

Há dois mil anos tinha-se absoluta certeza que a terra era o centro do universo, era vigente o geocentrismo de Ptolomeu. Além disso, a Terra era considerada plana como um campo de futebol e – pasmem – acreditava-se estar sustentada nos ombros do Titã Atlas, e este em incontáveis cascos de tartarugas um em cima do outro. Se andássemos em linha reta, uma hora cairíamos num abismo sem fim. Isso há ínfimos dois mil anos. E foi nossa crença por 14 a 15 séculos! Em parte porque a igreja nos obrigava a pensar assim.

Só há quase 500 anos se passou a crer no heliocentrismo de Copérnico, uma 3 maiores revoluções culturais já experimentadas pelo homem. Realmente causou uma revolução. Era o tempo das navegações, e com essa teoria uma rota alternativa para as Índias passava a ser idealizada: a circunavegação. Mas convenhamos, fugia um pouco ao bom-senso a idéia que navegando em direção poente se chegaria ao nascente. E simplesmente ninguém suspeitava que ao invés de terríveis monstros no meio desse caminho existisse um imenso continente se estendendo de norte a sul. O mundo era cheio de surpresas mesmo.

Sua aceitação foi tão difícil que ainda em 17 de fevereiro de 1600 o filósofo Giordano Bruno foi queimado na fogueira por defendê-la, 100 após o Brasil ter sido descoberto.

Nessa mesma época, há um marco para a medicina: o ano de 1543, com a publicação do livro Fabrica por Andreas Vesalius. Nele é descrito com precisão toda a anatomia do corpo humano. Mesmo sem grandes descobertas, no entanto, é um marco por ter sido o único em 14 séculos a criticar e apontar os erros evidentes dos ensinamentos anatômicos de Galeno, o qual a igreja exigia que fosse considerado dogmático. Provocou, em stricto sensu, uma reviravolta na medicina fazendo-a acordar de um profundo sono letárgico diuturno.

Em lato sensu, no entanto, causou um frenesi, um imenso salto no conhecimento como um todo, até então sem precedentes. Sobretudo no que concerne à postura do homem pesquisador. Criou-se um clima em que todos os estudiosos renascentistas queriam medir, comparar, dissecar, desenhar, cheirar, elaborar novas teorias e se aventurar para além das fronteiras do conhecimento onde seus antepassados não ousaram.

A vida inteligente pela primeira vez passou a ser estimulada a demonstrar todo seu potencial.

A partir desse ponto as grandes mudanças sócio-culturais seriam perpetradas não mais em centenas de anos, mas agora em algumas dezenas anos. Foram tantas que seria impossível relatá-las aqui.

Cumpre destacar, por conseguinte, algumas mais marcantes: a circulação do sangue (1628), as bactérias (1676), a anestesia (1846), a anti-sepsia (1867), o telefone (1876), o rádio (1896), a televisão (1924), a penicilina – primeiro antibiótico (1929), o computador e o DNA (1945), a pílula anticoncepcional (1952), o satélite (1957), internet (1969), et coetera.

Em especial as outras duas maiores revoluções culturais. E bem recentes. Dois livros bombásticos, sísmicos, verdadeiros epicentros que chacoalharam o mundo. Em 1859 – A origem das espécies – de Charles Darwin, foi responsável pela revolução mais cataclismática até hoje. Não era pra menos, já que com argumentos irrefutáveis introduzia a idéia de que homens e macacos evoluíram a partir de um ancestral comum e não como mero fruto da criação divina. Ainda hoje ela não é totalmente aceita, há escolas que optam por ensinar o criacionismo. O segundo. Em 1899 – A interpretação dos sonhos – de Sigmund Freud que deu ao termo inconsciente um status científico, além de ter dividido nossa mente em camadas (o ego, o id e o superego), que era dominada em certa medida por vontades primitivas, escondidas sob a consciência, e que se manifestavam nos lapsos e nos sonhos.



Em cada um dos momentos desse processo evolutivo, seja há 10, há 100 ou há mil anos, outra característica inerente nossa sempre se fez presente: a da auto-exaltação, do egocentrismo desvairado. Por exemplo, recentemente um dos cientistas mais respeitados do século XIX, Thomas Edison (foto ao lado) “profetizava” em 1891: "Muito pouco ainda falta para ser inventado". E todos à época pensavam assim. Eles estavam maravilhados com a locomotiva, a fotografia, o transatlântico, o telégrafo, etc; e olhe que ainda nem existiam carros, aviões, televisões, prédios. Recentemente um amigo meu, Fred, proferiu frase semelhante após refletir sobre as novas maravilhas contemporâneas: “o que ainda falta ser inventado?” Não nos surpreendamos, somos prepotentes mesmo.

Você já imaginou como vivíamos há 2000 anos? Não existia absolutamente nada, apenas vamos dizer assim ovelhinha pra lá, ovelhinha pra cá... Ovelhinha pra lá, ovelhinha pra cá. E há apenas 100 anos? Sem prédios, sem ruas asfaltadas, sem carros, sem aviões, só cavalos e carruagens, muitas vezes lembrando cenários de faroestes? Éramos no planeta aproximadamente 1,6 bilhões de pessoas com vida média de 34 anos (!), hoje só na China em 2020 estima-se que terá essa população, quando o mundo já terá 8 bilhões de pessoas. E "ontem" há 15 anos? Sem DVD, Mp3, iPod, máquinas e celulares digitais, sem internet rápida e englobando a quase tudo? Como vivíamos sem essas coisas?

Enfim, num período de tempo desprezível para os paradigmas universais demonstramos uma capacidade espantosa em evoluir e nos organizar socialmente em populações cada vez maiores e mais complexas. E o ritmo só tem aumentado... ao ponto que algumas estimativas são curiosas: atualmente o conhecimento humano dobra a cada oito anos. E que, por exemplo, uma criança que nascer hoje quando ela tiver 50 anos 97% de tudo o que se saberá no mundo terá sido aprendido desde que ela nasceu. Hoje as grandes mudanças já ocorrem EM ANOS, logo logo ocorrerá em meses.

E lembre-se 100 anos para a idade do universo, seria aproximadamente irrisórios 15 segundos na vida de alguém que viveu 100 anos. Tem beijo de boca que demora mais, por exemplo.

Mas e a formiga?

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Uma questão que todos já se perguntaram é a respeito da vida extraterrestre. Mas, ora, pra se saber da existência de vida fora da Terra, ou da inexistência dela, seria necessário averiguar em todos os possíveis locais do universo onde possa ter se desenvolvido vida. Como em outros planetas, por exemplo. Por isso, eu pergunto: quantos planetas você conhece fora do sistema solar? Quantos?? Nenhumzinho?

Então como podemos discutir esse assunto se nem sabemos o básico? Ou iremos criar novas baboseiras? Não seria melhor nos conformarmos com a insignificância de nosso atual conhecimento? Seria. Mas mesmo assim, podemos confabular algumas hipóteses.



Antes uma breve explicação. A Terra é um dos oito planetas que orbitam ao redor da estrela Sol. E o Sol é APENAS UMA dentre cerca de duzentos bilhões de outras estrelas presentes em nossa galáxia – a via-láctea. E nossa galáxia é uma dentre inúmeras galáxias que compõem o universo. Espero que você não tenha se perdido nessa seqüência, mas com certeza você se perderia caso falasse a respeito das dimensões de tudo isso acima. Não me atreverei.

Será que apenas na nossa estrela, dentre outras 200 bilhões, existe planetas ao redor? Essa é uma pergunta capital e até 1992 não se sabia respondê-la. E por quê? Mesmo com nossos telescópios bem potentes? Por um motivo simples, ao vermos a luz de qualquer estrela, ela ofusca tudo a sua volta, impedindo a visualização de qualquer planeta que porventura a estivesse orbitando. Parece justificativa pra criança, mas é isso que a NASA nos explica.

A partir de 1992, no entanto, por MÉTODOS INDIRETOS ela passou a ser respondida. Hoje se sabe que na verdade incontáveis planetas existem orbitando outras estrelas de nossa galáxia. Nas estrelas das outras galáxias deve ocorrer o mesmo também. E até o dia 1 de outubro de 2007 já foram catalogados 248 outros planetas extra-solares. Têm por enquanto nomes técnicos, a saber: HD12661c, HD37124c, 70 Vir, GJ876b, etc. E a lista não pára de crescer. E por que você não sabia disso? Justamente porque a foto de nenhum deles, como expliquei, está disponível. Ou seja, não conseguimos nem tirar fotos de planetas extra-solares, saber se há vida neles muito menos ainda. Veja como nesse aspecto – do conhecimento de nossa vizinhança – estamos na melhor das auto-avaliações apenas engatinhando. E ainda tem gente que fica maravilhado quando sai alguma nova foto tirada pelo Hubble...

A lista destes planetas é constantemente atualizada no site na NASA a seguir:
http://planetquest1.jpl.nasa.gov/atlas/atlas_index.cfm

Falei que não iria me aventurar sobre as dimensões universais. Mas conhecê-las é fundamental para tornarmo-nos pessoas mais humildes, apreciando toda nossa insignificância, e assim descobrindo que nossa inerente prepotência não tem muito propósito de existir.

Poderia começar assim: a Terra tem 12 mil km de diâmetro contra 90 mil anos-luz (cada ano-luz tem 9,5 trilhões de km) de diâmetro da via-láctea, mas seria mal-sucedido em meu objetivo, pois infelizmente nosso cérebro não consegue dimensionar essa tamanha desproporção. Por isso preciso de outra analogia, e é aí que entra a formiga. Ela e suas bactérias.

Imagine o quanto nosso planeta é – infinitamente – maior quando comparado com o tamanho da formiga. Infinitamente. Imagine. Pois nossa galáxia guarda a mesma proporção em relação ao nosso planeta. Ela é tão infinitamente maior que a Terra, quanto esta o é quando comparada com a formiga. Assim a analogia seria: nós seríamos as bactérias da formiga, a formiga, então, representaria a Terra e todo o planeta de fato seria a Via-láctea.

E você, caro leitor, imagine-se por um momento como um ET. Você agora não é mais o leitor que vê a formiga, mas um ET que vê a Terra de fora. Imagine suas bactérias e pense serem nós seres humanos. E quando você for dar uma volta pela via-láctea (ao sair de casa, por exemplo, e ir trabalhar, ou viajar) no caminho você vai perceber toda a insignificância da Terra (a formiguinha que ficou na sua casa) pela tamanha desproporção entre ela e todo seu caminho percorrido. É uma comparação um tanto grotesca, mas que dimensiona bem nossa inefável miudeza.

Talvez assim você compreenda porque é difícil para as bactérias na formiga da sua casa tenta descobrir outras bactérias vivas na formiga que você encontrou no seu trabalho, por exemplo.

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Tenho medo.

Algo me amedronta. O fato do pouco tempo em que precisamos pra chegar ao nosso nível evolutivo atual. E por que me amedronta? Simples. Pensem comigo. Caso exista VIDA INTELIGENTE EXTRATERRESTRE com certeza ela deve estar noutro patamar bem diferente: infinitamente inferior ou infinitamente superior a nós.

Ou seja, por outras palavras eu confesso: morro de medo de ET. Na verdade da imensa superioridade que eles já possam ter.

Veja bem. O universo tem 15 bilhões de anos, e por isso é bem provável que existindo vida inteligente em algum outro planeta ela já possa estar se desenvolvendo há muito mais tempo que os nossos 125 mil anos. E isso seria catastrófico, pois como vimos vida inteligente evolui muito rápido e dessa forma geraria um abismo sem fim entre nossas civilizações. Se atualmente estamos vivenciando uma época onde cada década já é responsável por transformações grandiosas na sociedade, logo mais adiante serão em anos, meses. Por isso, imagine uma civilização que já possa estar nesse ritmo frenético de desenvolvimento a nossa frente não a alguns anos (o que já seria calamitoso), mas a milhares, MILHÕES de anos. E pela infinidade de possibilidades universais, não deve ser difícil existir essa possibilidade. O que eles não poderiam fazer com a gente??? Se é que já não estão fazendo... Nossas ações já poderiam estar sendo, agora mesmo, totalmente vigiadas (como eu escrevendo esse texto) e por que até não dizer controladas e até manipuladas.

E se os parâmetros nesse hipotético planeta forem totalmente discrepantes dos quais a gente demorou séculos para compreender? Poderia questionar, por exemplo, se a força da gravidade e as forças da natureza deles forem todas diferentes das que conhecemos, mas vou além. E se eles mesmos forem verdadeiros gigantes gulliverianos, com uma expectativa de vida infinitamente superior a nossa e com um cérebro bem maior e mais potente?

Não poderíamos pensar de modo diferente. Pois para os parâmetros universais tudo é maiúsculo. As distâncias, as dimensões. Outro exemplo, a estrela mais próxima a nós, obviamente, o Sol está a uma distância de 8 minutos-luz, mas a segunda mais próxima, a Proxima Centauri, já está a 4,3 anos-luz. E se quiséssemos ir à galáxia MAIS PRÓXIMA, a de Andrômeda, por exemplo, levaríamos 2,3 MILHÕES de anos.... ou seja possibilidades não faltam de existir algum planeta com vida há muitos mais tempo que o nosso.

Eles podem ser até beligerantes, agressivos. E já podem até terem nos visitados à surdina. Agora convenhamos se esses seres já tiverem desenvolvido uma tecnologia capaz em atravessar de forma eficiente essas longas distâncias cósmicas, com certeza eles já seriam tão mais evoluídos que provavelmente não se deixariam ser vistos, muito menos nos considerariam alguma ameaça. Porque conseguir viajar na velocidade da luz, o que para a nossa tecnologia vigente não passa ainda de um devaneio sem previsão de resolver, ainda é pouco. Pois só para irmos e voltarmos de Andrômeda, por exemplo, iríamos gastar 4,6 milhões de anos, talvez a Terra nem existisse mais. Por isso deve existir outro modo, pela velocidade da luz, essa tartaruguinha, não serve. E talvez eles achem até graça em nossa sociedade, comparando-nos como verdadeiros lilliputianos, ou seja, um povo de estatura extremamente pequena e que está constantemente em guerra por futilidades.

E se somos as bactérias da formiga poderíamos concluir que estamos num nível evolutivo, em pleno século XXI, ainda muito rudimentar. A despeito do que muitos preferem pensar. Apesar de todos ficarmos deslumbrados com a tecnologia atual, nem notamos a realidade: o quanto estamos num nível evolutivo ainda precário. Porque como se sabe as bactérias mais evoluídas não são aquelas que destroem seus hospedeiros, seu hábitat; ao contrário conseguem viver em simbiose com eles. E nós, seres humanos, ainda não atingimos isso, pois nosso processo evolutivo atual ainda é extremamente deletério (com a imensa emissão de CO2 em carros, usinas, por exemplo) tanto pra o nosso planeta Terra, a nossa formiga, como para nós mesmos que vivemos em Guerras uns com os outros.

Enfim, esse texto ficou muito informativo. Espero que ao menos o cerne dele reverbere um pouco em você: como a vida inteligente evolui muito rápido.... e mesmo tendo consciência que ainda estamos engatinhando evolutivamente não tem como não se impressionar com nossa evolução. Pois antes éramos apenas 300 milhões no mundo todo e não existia nada senão ovelhinha pra cá, ovelhinha pra lá. Apenas dois mil anos após e já consigo me manter praticamente conectado em tempo real com quase todos os nossos outros 6 bilhões de lilliputianos....

domingo, 16 de setembro de 2007

A Sombra Crocitante



Eles estão chegando... e você já colocou perfume hoje?


Dias atrás, à tarde...

Estava caminhando pela calçada quando um cheiro nauseante chamou minha atenção. Um cheiro forte de enxofre, típico das coisas podres, era evidente ao meu redor. Olhei em volta: nem um sinal por perto de nada em putrefação. Tentei ignorar e seguir adiante; no entanto, a permanência da inhaca me perturbou. Perquiri, então, minudentemente o chão em busca de algum enxame de moscas que poderiam denunciar a fonte catingosa. Em vão. Tudo porque custei a acreditar que ainda poderia estar vivo o ser que exalava tão desagradável cheiro. Só então percebi algo atordoante: ele parecia vir de todos os lugares, de todos os lados. Olhei em volta novamente. A impossibilidade aparente de imputar a algo me deixou confuso. Só após algum tempo, como uma loira em que a "ficha demora a cair", percebi pasmado como aquele cheiro fétido exalava fortemente de mim.

Iria manchar minha reputação familiar caso cruzasse com alguém na rua e ser pego naquele estado quase cadavérico. Duraram apenas poucos segundos pra ver esse receio concretizado no pior estilo Murphyóide, quando escutei por trás de mim uma voz familiar chamar meu nome. A nitidez da voz revelava uma distância que me impedia fingir ignorar e sair, por exemplo, correndo. Ao girar os calcanhares deparei-me com as pessoas mais fofoqueiras da pequena cidade do interior onde me encontrava. Estava evidentemente arruinado. Seria motivo de chacota por anos. Não consegui disfarçar a apreensão, o que foi logo percebido pelas minhas interlocutoras, e justamente a primeira indagação delas de uma conversa banal que agora se iniciava.

-“Não, não foi nada. Só não estou me sentindo muito bem.” Enrolando respondi.

Pra minha surpresa, aquele cheiro insuportável, o meu cheiro, não parecia incomodá-las. Não sei como, porque me mantinha em pé com grande dificuldade. Meu cérebro estava tão concentrado naquele enigma, que apenas via suas bocas mexendo sem parar: ouvindo não registrava nada. Lutava mentalmente para encontrar uma explicação plausível para aquela intrigante situação. Foi quando me dei conta que a catinga parecia ter aumentado. Por um instante suspeitei que ela pudesse também vir delas. Simulei coçar a perna pra chegar meu nariz mais perto delas e fungando tirar a dúvida. Infelizmente, a confirmação. Eu que já estava meio inclinado, com aquela inspiração extra, quase dali mesmo desabava. Por isso que elas não estavam se incomodando, tinham se acostumado, era o mesmo cheiro delas também.

Eu que já estava confuso fiquei sem entender menos ainda. E as horas que se sucederam do dia apenas complicariam ainda mais. Terminada a conversa. Voltei ao meu itinerário inicial. Deparei-me com outras pessoas e o mesmo tinha acontecido: não esboçaram o mais simples incômodo, como também exalavam o mesmo odor sulfídrico. Ou tinha adquirido uma ingrata alucinação olfativa, ou simplesmente tinha que aceitar que de todas as pessoas desprendiam aquele fétido bodum. E ninguém parecia perceber isso. Quando uma característica, mesmo que ruim, é comum a maioria das pessoas ela passa a ficar despercebida.

Só depois de um tempo tudo ficou claro pra mim. Só depois de um tempo passei a entender tudo. Havia uma explicação irrefutável para aquilo tudo... mas infelizmente talvez preferisse ter ficado sem entender...

Hoje, mais cedo...

BRRRRRRRRRR......brrrrrrrrrr......BRRRRRRRRRR......brrrrrrrrrr

O silêncio quase sepulcral do quarto era quebrado apenas pelo ventilador que oscilava. Deitava-me de bruços. Breu. Meu pé esquerdo pendia um pouco pra fora da cama e apenas seu balançar frenético denunciava a impaciência sobre a qual tentava evitar pensar. Olhos fechados, as sobrancelhas enrugando a glabela. A mão esquerda inerte por baixo do travesseiro sentia a compressão da face esquerda, enquanto a direita tateava o chão embaixo de minha cama. Buscava pela quarta vez descobrir as horas em meu celular. Quando a luz branca, ao abrir o flip, se acendeu: 3:47. Pra minha surpresa só havia passado 22 minutos desde a última checagem. Logo eu que pela minha famigerada paz de espírito dormia tão fácil. Não lembrava a última noite em claro remexendo-me de um lado a outro. Era evidente minha intranqüilidade expressa naquela insônia. E por mais que tentasse evitar pensar sobre o assunto sabia muito bem do que se tratava: estava com medo! Estou tentando perder um pouco o meu já característico exagero, mas acredite, caro leitor, tentar expressar o que estava sentindo apenas com “medo” e um único ponto de exclamação: é pouco. Estava apavorado!!! Enfatizo as “!!”.

Estava mesmo apavorado. Estava apavorado que a essa altura Eles já deviam estar migrando pra cá. E essa idéia reverberando em meu inconsciente não me deixava dormir. Tenho certeza que se você soubesse sobre o que estou falando era você agora que também começaria a ficar, que também não conseguiria dormir.

....

Tenho andado triste. Mesmo. Pela primeira vez tenho vergonha profunda em dizer que sou brasileiro. Há coisas repugnantes acontecendo e a maioria das pessoas parece nem perceber; muitas outras, ao invés, percebem, criticam, se indignam como eu, mas assim como eu nada fazem pra reverter isso. Por isso, como o mais grotesco: na verdade estou com nojo até de mim mesmo.

Como havia mencionado no texto “Os Funcionários” meses atrás nós “somos péssimos. Péssimos como povo” para justamente deixar claro nossa mea-culpa pelo nosso subdesenvolvimento, e não apenas imputar aos governantes como é o comum. Subdesenvolvimento não apenas econômico, mas sobretudo humano também. Pode parecer exagero, contudo pequenos atos errados nossos quando multiplicados por milhões passam a nos caracterizar como brasileiros e a frear o crescimento da “empresa” Brasil. E naquele texto, ainda, num dado momento, em tom solene e funéreo, reconheci:

"...talvez a hora de nossa PUTREFAÇÃO MORAL deva estar cada vez mais próxima. Tornamo-nos, assim, MORTOS-vivos.
Um minuto de silêncio para nós mesmos."

Isso meses atrás....

No entanto, fazendo jus a máxima em que "nada é tão ruim que não possa piorar": pioramos. E muito. Pois se antes JÁ éramos mortos-vivos a partir do dia 12 de setembro de 2007, então, PASSAMOS A FEDER. Justamente o dia do primeiro julgamento de Renan. Onde ocorreu uma votação burlesca e palhaçal tão secreta que a urna não pôde nem ser filmada. Confesso que naquele dia fui dormir indignado, mas aliviado, porque sabia que aquilo tinha sido a gota d’água, a partir dali as grandes manifestações de ruas que ansiosamente há tempo aguardava iriam se difundir por todo o país. A partir dali tudo mudaria. Fui dormir tentando criar alguma “musiquinha” de protesto pra quando estivesse nas ruas em algum movimento poder gritar de olhos fechados, cara-pintada e socando o ar com o punho cerrado: extravasando toda minha indignidade nutrida diariamente nos últimos anos. Confesso que um sorriso surgiu no canto da boca, quando na cama no estado hipnogógico, imaginava as grandes revoltas que se somariam a partir do dia 13. Nunca aguardei tanto o Jornal Nacional como na noite de 13 de setembro. Decepção, leda ingenuidade. Como todos sabemos nenhum "cara-pintada" a mais ínfima revoltazinha sequer....

E Lula, mas uma vez o ébrio barbudinho nos presenteou: “Eu não acho que haja impunidade. Deus queira que o Brasil continue sendo um país com regras que dêem direito às pessoas de se defender."

Repito. Se antes tínhamos nos tornado mortos-vivos, a partir do dia 12 de setembro passamos a feder. Todos nós. Alguns mais outros menos. Alguns por imprudência, enquanto outros por negligência de ação contra os imprudentes.

E agora estou aqui: são 4:03, é a quinta vez que olho as horas em meu celular. Deitado na cama, revirando-me de um lado a outro com um medo inconsciente que não me deixa dormir. Medo do nosso putrefato cheiro coletivo. E meu pé esquerdo, não consigo fazer ele parar de balançar.

Medo de o dia virar noite. E de um pouco antes disso, medo de quando seremos surpreendidos com um barulho ao longe, que vai crescendo lentamente até torna-se insuportável e assustador. O barulho de uma miríade de siringes crocitando lugubremente. Incontáveis. Assustador. E no chão, como independence day, a sombra avançando gradativamente. A sombra crocitante. E quando ela nos encobrir por completo, veremos no céu um organismo vivo gigantesco, composto por inúmeros seres pretos e repugnantes, oriundo de todos os lugares do mundo, sobretudo da África, vindos atraídos pelo nosso cheiro coletivo. E então o dia virará noite.

E quando estivermos todos em pânico sentiremos os respingos, como uma chuva, da sedenta saliva de nossos algozes nos sobrevoando. Eles já estarão inebriados do que para eles, lá do alto, será a visão de um verdadeiro banquete pantagruélico.

Por isso, que venham os urubus!

Talvez não saibas, mas mesmo medonhas elas são consideradas aves catartídeas. E o gr. kathartés, quer dizer “o que limpa, purifica”

E caso você não deseje passar por esse doloroso processo de purificação aconselho a quando for colocar perfume hoje, só por precaução, a dar uma boa caprichada.

E talvez como única solução pra nossa dignidade: que venham os urubus!!



sexta-feira, 7 de setembro de 2007

DO CHEIRO AOS....



(história baseada em fatos reais)


Era uma terça-feira. Ensolarada terça-feira. Por volta das três e trinta da tarde. Calorenta três e trinta. Hospital Santa Joana, Bairro do Derby, Recife, Pernambuco. Não acreditava no que estava me acontecendo. Sangrava e chorava sem parar num misto de dor, medo, tristeza e perplexidade....


Poucas vezes vivenciei algo tão angustiante, tão assustador. Talvez inclusive nunca mais venha a vivenciar. Acreditem, não aconselho ninguém passar por algo parecido. Vê-se frente a frente com sua própria morte é indescritivelmente arrepiante. Você sabe que esse dia vai chegar, mas não sabe como nem quando, e outra certeza é que nunca se consegue estar preparado pra essa experiência. Carl Sagan, no entanto, dizia “devido a minha doença (leucemia) eu já ‘quase morri’ algumas vezes... e ‘quase morrer’ é uma das experiências que mais engrandecem um homem, mas infelizmente não posso aconselhá-la a ninguém”


E agora era eu que estava prestes a viver a minha...


Momentos antes, estava, porém, praticamente na “vida que pedira a Deus”, como um verdadeiro bon vivant: tudo o que precisava tinha a disposição, e em fartura. Todas minhas necessidades atendidas, nenhuma preocupação, vida mansa, tranqüila, só precisava mesmo era relaxar e aproveitar. Tudo bem que depois de algum tempo aquele cotidiano tornava-se um tanto monótono, ademais a sensação de conforto já não era mais a mesma, necessitando quase um verdadeiro contorcionismo para se adequar às limitações do meio, mas nada que me fizesse lamuriar.


Na manhã daquela terça-feira, porém, o universo ao meu redor não estava com sua paz habitual: algo a minha volta me incomodava. Como se algo estivesse tentando me avisar do caos que estava porvir. Pior que o desconforto foi se agravando no decorrer do dia... Não dei tanta importância, tentei relaxar e manter meus afazeres cotidianos. No entanto, não mais que de repente, aconteceu! Quando dei por mim, encontrava-me numa situação inusitada, inóspita, desconfortavelmente aterrorizante. Como fui parar nela? Juro que não fazia idéia. Só sei que não enxergava absolutamente nada, meu corpo doía praticamente todo, estava sendo empurrado para um local de um aperto claustrofóbico – sufocante – onde uma espécie de corda estrangulava meu pescoço e ainda uma mão parecia tentar esmagar a minha cabeça com força. O som era percebido abafado. Senti medo, meu coração disparava. Uma onda de frio percorria minha espinha. Tentei gritar, mas ao abrir a boca ao invés de sair qualquer ruído, entrou água.


Como assim? Água? Se bem que não parecia ser água, pois o líquido era viscoso e muito azedo. Onde estava? Que mão era aquela? Que lugar tão apertado era aquele que arquejava minha respiração além de impedir minha movimentação? Seria um seqüestro? Fora abduzido? Alienígenas estariam prestes a usar meu corpo para experiências sexuais, ou seqüestradores iriam tirar meus rins? O fato de não saber o que estava acontecendo: apavorava ainda mais. Acho que você, por mais que tente, não conseguirá imaginar quanto.


Comecei a ficar com o corpo todo formigando, e logo a seguir dormente: meu sangue mal circulava. Já com as extremidades cianosadas comecei a ficar com sono, provavelmente devido à baixa oxigenação cerebral. Não devia ser sono, eu provavelmente devia estar era morrendo. Não agüentaria muito tempo aquela situação asfixiante. Quando estava quase desmaiando foi então que algo aconteceu muito rápido. Como estava meio amortecido não recobro muito bem os detalhes desses instantes, apenas sei que aconteceu muito rápido. De repente meu corpo foi fortemente puxado, e levado pra um local barulhento onde podia me movimentar livremente. Podia, mas não conseguia, porquanto meus membros sem sangue apenas latejavam dolorosamente; quando, então, um calor a minha frente me fez perceber uma luz adiante muito forte, ofuscante. Se havia morrido, àquela deveria ser a luz de que tanto falavam no post-mortem, à semelhança de Ghost.


A corda em volta do meu pescoço havia sido retirada. Alívio. Porém no meio daquela luz percebi um vulto. Parecia alguém encapuzado. Era alguém encapuzado! Por uma brecha em seu capuz, era notável seu olhar fixo em mim. Um olhar gélido, impassível, tenso, com ar bastante sério. Testa e sobrancelhas franzidas. No fundo daquele olhar pude ver minha própria morte refletida. Ao esquadrinhar melhor aquela cena, percebi nas mãos dele o porquê ele me olhava com tanta fixação: uma espécie de faca. Ao ver aquilo só consegui pensar numa palavra, e ela dimensionava bem a gravidade daquela situação: "fudeu!". Totalmente aterrorizado, com meus membros todos imóveis, sem conseguir me defender, na iminência da morte, restou-me fazer o que as pessoas fazem no auge do desespero: chorar! Gritar!


Ao tentar fazê-lo, experimentei algo inédito. Fui invadido por um tipo de fluido estranho pelas minhas narinas o que fez meu tórax se distender de uma forma tão dolorosa, parecia que todas as minhas costelas iriam se quebrar... Engasguei-me duas vezes, e consegui, por fim, chorar. Foi neste instante, exatamente neste instante, quando passei a compreender tudo o que se passava: aquela luz não advinha de algo divino ou extraterreno, mas provavelmente de um foco cirúrgico; e aquele encapuzado, ao invés do meu carrasco seria um cirurgião tentando me salvar da morte iminente. Devia estar presenciando o momento exato em que seria cortado. Não dava pra conjecturar mais, pois tinha chegado a hora exata, o cirurgião com um movimento firme aproximou sua mão empunhando o bisturi da minha barriga. Assustado, de forma preventiva, aumentei meu choro. Ele então com um golpe fulminante e preciso me cortou. Meu sangue jorrou. Se estava num bloco cirúrgico ou numa sala de emergência, quem me via, me via sangrando e chorando sem parar num misto de dor, medo, tristeza e perplexidade...


........


E o mais estranho foi que não senti o corte... nada. O meu sangue escorria e nem o menor desconforto. Tantos acontecimentos estranhos fizeram-me questionar a realidade daquilo tudo, será que não estava protagonizando um pesadelo? Foi quando me dei conta que há muito já teria acordado apavorado.


E este caos que tão de repente e misteriosamente havia se instalado; da mesma forma abrupta e misteriosa havia se elucidado. Após o corte fui alçado pra um local, por trás de uma espécie de cortina, onde uma mulher de fisionomia desconhecida estava deitada visivelmente emocionada. Com o medo embaçando minha percepção ao me aproximar nem percebi com os olhos marejados a ternura que me fitava. Foi então que meu choro abruptamente cessou. Eu conhecia aquele cheiro! Era o cheiro que vinha daquela mulher que agora me abraçava rindo entre lágrimas. Como me tranqüilizou aquele cheiro, aquele abraço!


Foi então que tudo ficou claro pra mim... Por isso que não fazia idéia de como havia chegado àquela situação. Por isso que não senti o corte, por isso o porquê daquele local apertado, daquela "corda" e daquele estranho fluido que distendeu meu tórax. Não se tratava de um cirurgião num ato emergêncial de heroismo, tampouco se tratava da minha própria morte. Ou melhor, na verdade tratava-se da minha própria vida, mais precisamente a angustiante experiência de meu nascimento....


(to be continued)

quinta-feira, 12 de julho de 2007

Revelação Bombástica!



Sou um rapaz de sorte. De muita sorte, aliás.

Por que mal fiz 28 anos, e já tenho a consciência de ter encontrado o amor da minha vida. Consciência plena, vale ressaltar. Pergunto-me quantos aqui já conseguiram ter esta certeza assim tão cedo. E quando se tem consciência disso, resta-me esclarecer, é impossível não se perceber embriagado em alegria, meio extasiado em contentamento. Ademais, o mais difícil, ao experimentar sensação parecida, é manter isso só pra si e não estranha, por isso, não ter resistido e vindo aqui compartilhar com vocês. Essa é a parte feliz da história. Infelizmente há uma parte triste também, bem triste vale sublinhar: hoje não estamos mais juntos, tampouco um dia voltaremos a estar.

Cumpre, porém, um adendo: essa consciência não é uma fantasia quimérica ou um devaneio utópico como muitos prontamente já estão pensando – muitos por já me conhecerem, inclusive. Em contrapartida, tampouco um sinal inconteste de meu completo desvairamento. Pelo menos dessa vez não.

Isso por que vocês ainda nem sabem o detalhe principal. Entretanto, ainda não é o momento oportuno pra comentar isso.

Minhas empolgações com o sexo oposto no decorrer da vida já deixaram incrédulas algumas das pessoas mais próximas a mim. Isto é, descrentes com a empolgação, crentes na minha inconstância. Não as culpo. Meus entusiasmos sempre foram mesmo intensos e não raro também abruptos; contudo, até hoje, meio efêmeros. E pela várias repetições dessa seqüência: empolgação abrupta - validade efêmera, justifica-se a descrença dos outrem. Por isso, quando vou falar sobre algum novo entusiasmo meu por alguém, alguns já costumam brincar: “logo logo ele (eu) vai vir tentar nos convencer que desta vez VAI SER DIFERENTE, que AGORA é pra valer”.

Como posso então, com esse meu passado, tentar convencer você, leitor, que DESTA VEZ, de fato, é diferente? Que DESTA VEZ minha consciência é fruto de uma pétrea certeza embasada em evidências irrefutáveis?

Ouso, então, me enveredar nessa difícil tarefa em tentar convencê-los. Embora caiba apenas a vocês julgar se vou conseguir.

Será que começaria bem na minha argumentação se iniciasse contando o detalhe principal? Se afirmasse que esse detalhe é porque me apaixonei por essa pessoa muito antes de trocar com ela qualquer palavra? Realmente, demorou um bom tempo pra isso acontecer. Mas, enfim, é isso mesmo, você está diante do que muitos julgam impossível, improvável, fantasioso: de um verdadeiro amor À PRIMEIRA VISTA. Nada mais anacrônico pra os nossos dias. Apesar de ter noção que nesse caso se trata muito mais de um amor ao primeiro abraço.

Confesso que antes também não acreditava em coisas desse tipo. Julgava ser idiotice, gostar de alguém sem ainda tê-la conhecido bem. Sempre fui daquelas pessoas que apenas conseguia admirar alguém (e, por tabela, gostar) após conhecê-la a fundo, após obter minuciosas informações sobre suas qualidades, seus defeitos, sua estruturação familiar, seus medos, seus sonhos, suas paixões... No entanto, toda essa minha convicção mostrou-se falha. E tudo por culpa de um simples abraço. Em apenas um abraço, no nosso primeiro abraço, me apaixonei completamente: por seu cheiro, pela alegria, pela paz que me causou. Prontamente me viciei. E percebo estar assim ainda hoje.

Apesar de ter passado por alguns momentos apertadamente angustiantes posso considerar que minha vida, antes desse abraço, foi bem agradável. Não tenho nada do que reclamar. Porém após ele – mudou completamente – ao ponto de nem lembrar tão bem, hoje, dos meus prazeres antes dele. E a sensação de mistura entre alegria e paz intensas, que senti em todos as minhas grandes conquistas e prazeres que vieram depois dele, hoje percebo, meu cérebro embebido em endorfina tentando mimetizar a sensação que senti naquele abraço. A sensação do tal abraço passou a ser, para meu cérebro, o paradigma do prazer maior. Ficou gravada nele, e sempre que tenho qualquer grande prazer, o que sinto, tenho certeza é o que senti naquele abraço. Alguns vão taxar minha descrição de exagerada. E o é, mas lembrem-se de quem nós estamos falando: dO AMOR DA MINHA VIDA, assim mesmo, em letras garrafais.

Você vai aumentar sua suspeita em minha insanidade quando lhe dizer que nunca me declarei pra ela, como estou me declarando agora, por isso não sei qual será sua reação. E vocês já devem ver, por isso, sinais de platonismo, o que na essência de sua acepção denotativa, confesso, não está de todo inapropriado.

Mas afinal quem é essa pessoa? Qual seu nome?

Por enquanto posso afirmar que ela é loira. Apesar de sempre ter me dado melhor com as morenas. Ela tem olhos claros, apesar dos escuros terem sido mais freqüentes em minha vida. Ela é um pouquinho mais velha que eu, apesar de ter mais me identificado com as mais novas.

Já passei com ela um bom tempo juntos, um tempo em que não nos desgrudávamos pra nada e, por isso, talvez os melhores de minha vida. Mas como vocês já devem saber: em toda relação de convívio intenso há momentos difíceis também, e na nossa não foi diferente. Lembro até um dos momentos mais difíceis, quando quase morri por culpa dela, tudo por culpa de uma festa de reveillon... ela foi se divertir e eu fiquei com vontade de ir também, mas ela não deixou. Depois eu soube que se tivesse ido tudo teria acabado pra mim e pra nós. Alguns na época inclusive afirmaram que era um fim inevitável... mas não foi e, hoje, agradeço a ela não ter me deixado ir.

Enfim, superamos isso e convivendo fomos até o dia em que nossa relação inevitavelmente saturou, quando já não dava mais pra continuarmos juntos. Todos em volta percebiam isso também e, inclusive, parecim até torcer pela nossa separação. Insistimos mais um pouco: tudo em vão. Nos desgastamos muito e por isso nossa separação foi bastante traumática. E o que fizemos quando nos separamos de fato? Choramos. Choramos muito, eu de um lado e ela do outro, talvez já sabendo, naquele momento, que não mais iríamos voltar a ficar juntos novamente... mas eis que exatamente nesse momento algo inexplicável aconteceu. Algo que prontamente fez cessar meu choro, mas que, ao invés, fez o dela mudar pois agora ela não só chorava como ao mesmo tempo ria também. Algo que marcaria as nossas vidas pra sempre.

E você não vai acreditar quando lhes dizer o quanto nossa separação deixou algumas pessoas felizes. Talvez aliviadas por perceberam que já estávamos forçando a barra ficando juntos.

E por tudo isso que hoje não estamos mais juntos. E o mais esdrúxulo nessa história toda, se é que pode haver algo ainda mais surreal. É que justamente após nossa separação que minha admiração por ela aumentou mais e mais. Separados, foi quando ela pôde me ensinar as principais coisas que hoje levo comigo aonde quer que eu vá. Foi quando pude aprender, observando, a existência real do amor verdadeiro: o amor que doa, que é sincero, que se basta em si, que não necessita de nada em troca. Obrigado por me deixar com vontade de querer estar na sua situação e sentir por alguém, o que você sente por mim. Muitas vezes nesse período distante a magoei, outras vezes fiz algumas “cagadas” inacreditáveis, como também já a deixei muito triste em outros momentos; mas o mais inacreditável era ela, mesmo após essas situações, vir sempre me tratar com grande carinho.

E a todos vocês eu retumbantemente esbravejo: Invejem-me!

Invejem-me porque inexiste prazer maior do que o amor correspondido. E que mesmo hoje separados, tenho certeza que nossa admiração é mútua e que só irá aumentar mais a cada dia. Ademais, que nosso amor mesmo a distância, e muitas vezes silencioso, é atemporal, incondicional e estranhamente incomum. E mesmo sentindo, ainda, saudades de tudo o que vivemos, já me conformei que nunca mais voltaremos a ficar juntos tão conectados como antes. Resta-me o consolo de levar na barriga a marca dessa época que infelizmente não volta mais.

Enfim, Cassandra Farias, minha mãe, mesmo não tendo legado seus cabelos e olhos claros, espero que tenhas gostado por ter deixado aqui registrado o quanto eu te amo profundamente.

Realmente não é todo mundo que tem a mesma sorte que eu.

segunda-feira, 4 de junho de 2007

A Herança do Gigante Dócil (e o mundo através de suas lentes)





(discursei o texto abaixo na tribuna na missa de 7 dia de falecimento do meu avô. Devido ao seu propósito, o escrevi de um modo diferente. Não para ser lido, mas para ser ouvido. Por isso, se você quiser captar toda a energia que tentei transmitir nele: leia-o, sinta-o e escute-o em sua própria voz. Imagine-se sendo vc mesmo o orador... a igreja gigante, mas lotadíssima... clima tenso no ar.... ansiedade... medo.... milhões de olhos fixos e convergindo para você )

Boa Noite a todos!

Esta igreja guarda laços íntimos com minha família. Nela ocorreram celebrações religiosas importantes para nós, dentre as quais destaco, há quatro anos, as bodas de ouro de meus avós.

Outro motivo muito especial nos une aqui hoje. Todos nós viemos celebrar uma missa: a missa do sétimo de dia de falecimento de um grande homem. O meu avô: HELY JOSÉ DE FARIAS, guardem esse nome.

E não poderia começar senão agradecendo à presença de cada um de vocês aqui: ao frei Paulo Valério; aos músicos; à sua esposa, Zita, mulher admirável que sempre o acompanhou; aos seus irmãos, aos seus amigos, aos seus 6 filhos, aos seus 12 netos e 2 bisnetos, e aos respectivos cônjuges.

Agradeço também às pessoas que não puderam vir, mas que estão em casa rezando também junto conosco; e a todas as outras que aqui estão.

E por que não agradecer também à presença dele! Com certeza ele está aqui conosco participando também, dá inclusive pra sentir sua presença aqui entre nós... Arriscaria até dizer o local onde ele está: está ali, ao lado de minha avó como sempre esteve e onde sempre vai estar, olhando pra mim agora, quando, enfim, começo de fato meu texto....


Ahhh que alívio! Sinto-me, completamente, aliviado...

Pode parecer estranho, uma das pessoas que mais amo, morre, e a sensação que agora me invade é o alívio. Pra entender melhor o porquê desse sentimento aparentemente paradoxal preciso antes contar uma história, já que alguns aqui não conhecem bem seus detalhes. De antemão, previno, é uma história com alguns momentos tristes, mas que com certeza terá um final feliz, garanto-vos.

É a história de um homem como poucos.

E essa história começa com um barulho. Um barulho forte. Na verdade, mais que um barulho: um tremor de chão intenso e repentino. O tremor da queda de meu avô sobre o piso de sua casa, em plena madrugada de 15 de abril de 2007, há exatos 50 dias. Uma simples queda, mas que logo descobriríamos iria causar um verdadeiro terremoto dentro de cada um de nós. Um terremoto faz você ficar inseguro com o solo em que está pisando, da mesma forma ainda hoje estamos inseguros com nós mesmos, de como será nossa vida daqui pra frente sem nosso ídolo, nosso porto-seguro.

Meu avô costumava afirmar que um de seus maiores temores era o de tornar-se muito dependente de cuidados, como, por exemplo, ficar preso numa cama, usando sondas, dependendo de outros até para comer. E imediatamente após sua queda estava evidente que algo não ia bem: ele não conseguia mexer suas pernas. Nem um singelo movimento. Um exame de ressonância minutos após já constatava: havia de fato uma lesão na medula vertebral do pescoço, o que comprometeria sua respiração e a movimentação de suas pernas e de seus braços. Tudo o que ele mais temia.

Após a queda, já no hospital, minha primeira surpresa: 83 anos! Quem diria que ele com aquele aspecto de homem muito forte, saudável, tinha essa idade. Quase Ninguém!

Nos dias que se seguiriam, porém, os problemas foram se somando, no início ele estava estranhamente sonolento, depois a freqüência cardíaca sem explicação mantinha-se sempre baixa, ademais a respiração tornava-se, pelo acumulo de secreção, a cada dia mais difícil. Decidiu-se, então, colocar um marca-passo, mas eis que na noite do 10º dia ele apresentou uma piora abrupta: a respiração foi piorando, a freqüência foi caindo e teve sua primeira parada cardíaca. Presenciar uma pessoa que você ama profundamente num momento tão angustiante quanto aquele, acreditem, é uma das piores situações que uma pessoa pode passar. Provoca um verdadeiro caos dentro de si. É perturbador.

Por sorte a parada não durou nem 1 minuto, mas trazia consigo outra novidade ruim – ele precisou ser entubado. Fomos dormir nesse dia completamente esgotados psicologicamente. Mas no outro dia – pasmem – só notícias boas: o tubo foi logo retirado, e ele lúcido e em tom de bom-humor já comentava:

– Avisem pra Zitinha que eu fui EXTUBADO.
E mais tarde, à noite, ele me confessou, entre risos, brincando:
– Meu filho esqueça aquela historia da luz no fim do túnel: é tudo mentira.

Nesta mesma noite tive o privilégio de passá-la toda ao seu lado, onde pudemos conversar sobre quase tudo. Pude ouvi-lo recitar poemas, contar piadas, declarar seu amor incondicional e seu orgulho da família. Após horas de conversas, já na madrugada, ele falou: Já está tarde, sente nessa cadeira ao lado de minha cama, vá descansar, e se você me ouvir gemendo, não precisa levantar: é DENGO. E realmente muitas vezes na noite ameacei levantar pelos gemidos dele, mas prontamente ele avisava: “nem se levante. É dengo!” e depois continuava: “ai ai ai ui ui ui”

Foi minha segunda surpresa. Mesmo naquele estado doente, naquele ambiente inóspito da UTI com pessoas estranhas e sons irritantes, sem poder ter a presença constante da família, meu avô não tinha perdido uma de suas características mais marcantes: o bom humor.

Seguiram-se ainda mais 33 intermináveis dias de seu calvário, nos quais ele mostrou uma vontade de viver impressionante, lutou com uma bravura contagiante, mas após mais seis entubações, duas cirurgias, mais três paradas cardíacas, e uma infecção difícil de combater, ao final acabou não resistindo...

Acompanhar de perto na UTI uma pessoa que se ama é uma experiência marcante. Dolorosa, mas marcante. Notícias boas e notícias ruins se alternam numa seqüência sem fim. E essa alternância diária somado a um sentimento de impotência por se deparar muitas vezes com situações onde nada se poder fazer produzem uma dor frustrante indescritivelmente lancinante...

Sem falar que a presença dele na UTI por si só já era algo de uma estranheza desconfortável. Pois se antes estava acostumado a ler seu nome apenas nas correspondências de sua casa, agora estava exposto no prontuário, nos exames. Se antes apenas o via dormindo no sofá após o almoço, agora o via dormindo num leito de hospital. Se antes mal conversávamos, agora tínhamos noites inteiras pra conversar. Se antes mal nos tocávamos, agora alisava sua carequinha por um bom tempo. Se antes parecia forte, indestrutível, agora não menos frágil que uma criança. Se antes via seu rosto de satisfação após tomar um cálice de vinho, agora via o mesmo rosto após dar com minhas próprias mãos água mineral que ele chupava através de um punhado de gaze. Se antes era ele que cuidava de mim; agora era eu que naquele momento cuidava dele.

Foram momentos difíceis. E jamais seremos os mesmos após esses 43 dias, levaremos para sempre na alma, mossas, dessa amarga experiência.

Mas, enfim, tudo aconteceu da forma exata que tinha que acontecer. E, inclusive, acredito que foi melhor assim. Tanto pra ele fazendo-o DESCANSAR após um sofrimento quase sobre-humano, além de evitar mais sofrimentos futuros numa vida em casa, preso a uma cama, que provavelmente ELE não gostaria. Pelo fim de seu sofrimento, e pelo seu merecido descanso, que hoje me sinto como falei no início: aliviado.

Penso que da forma como aconteceu foi melhor também pra nós. Meu avô era tão querido que se tivesse acontecido da noite pra o dia, com certeza não teríamos suportado, foi preciso dividir nossa dor pelos 43 dias.

Mas como frisei no início, nessa história o final é feliz. Impossível pensar diferente. A tristeza pela sua perda acaba hoje, acaba AGORA. A partir daqui somente a ALEGRIA, o ORGULHO pela herança que ele deixou. E pensem comigo: quantos daqui conseguirão chegar à idade dele e de forma tão bem vivida, deixando um exemplo de pessoa tão bondosa e admirável?

Como se esquecer de seus sapatos no pé da escada, de seu paletó bem dobrado no sofá, de seu amor por vinhos, por peru, pela papa de aveia de Quitéria; como esquecer de sua carequinha, de seu olhar distante nas fotos, do barulho que fazia indiretamente avisando que tinha acordado. Como não sentir sua ausência no almoço dos sábados? Quem vai, o final dos filmes, agora, nos contar? Quem vai, com Adônis, passear? Quem vai, as plantas do jardim, regar? Quem vai, com minha mãe, implicar quando em casa ela demorar a chegar? Quem vai, alguns de nossos problemas, com um lindo sorriso acabar? Quem vai, com sua cultura, nossa ignorância diminuir? Quem vai em nossos corações, com seu carinho, latifundiar? Por quem vamos torcer, no amigo-secreto do Natal, pra o nosso nome tirar? Quem até a Rua sete de setembro dando carona vou levar? Quem vai falar: “Gildo você é um arretaaaaado” quando na prova de residência no fim do ano eu passar?

É a história, repito, de um homem como poucos. E homens assim são inesquecíveis. E, por isso, deixam uma saudade, mesmo das pequenas coisas, como ele mesmo diria: “muuuuito” grande. E pessoas inesquecíveis não morrem, vencem o tempo. A dor passa, os ensinamentos ficam. Vejamos bem como, através de suas inseparáveis lentes, ele via o mundo:

As Virtudes.
Homem sério e Trabalhador. Tornou-se Procurador do Estado extremamente respeitado, honesto e com uma retidão ética rara nos dias de hoje. Além disso, possuía três virtudes marcantes: o BOM-HUMOR, de fato, detestava a tristeza; uma SABEDORIA incrível – impossível não se impressionar com sua inteligência e vastidão cultural. E, ainda, a pessoa mais ALTRUÍSTA que conheci. Tinha uma bondade no coração quase inacreditável, sempre ajudando quando solicitado. Com ele aprendemos a tratar quem quer que fosse sempre com doçura e educação.

O Avô e o bisavô.
Impossível ter algum mais dócil, mais carinhoso, mais entusiasta e atencioso.

O Pai e Educador.
Os filhos imitam os pais. Os filhos tendem a ser um espelho de seus pais. E, por isso, a melhor forma de educar é sendo você mesmo o exemplo. E isso ele o era. Impossível não querer imitar suas qualidades, e por conta disso também era um pouco nosso pai também.

Não a toa construiu uma família tão maravilhosa com Zitinha, mulher incrível tão ou até mais elogiável que ele. Família que sempre foi muito unida, de pessoas que se amam e se respeitam, onde nunca houve brigas, um espelho exato do casamento deles.

Ao todo foram seis filhos: uma advogada, um médico, dois empresários, uma esteticista e um músico. Sobre os quais ele me confessou que tanto o enchiam de orgulho. Seja a alegria de Luciano e Eduardo, a pureza ingênua de Fernanda, o profissionalismo de Flávio, a bondade de Cassandra, a inteligência de Hely.

O Marido.
Todo relacionamento que envolve convívio intenso é difícil. O de meus avós não era diferente, porém uma coisa impressiona: em toda minha existência nunca presenciei entre os dois uma discussãozinha sequer. Nunca conheci casal com cumplicidade maior. Sem falar que fluía entre eles um amor inefável, contagiante. Cito um exemplo: durante aqueles 43 difíceis dias, era impossível não se emocionar quando minha avó chegava à UTI, pois entrava falando: ”meu lindo, meu amor, cheguei”

E o simbolismo dessa união tão sincera e admirável é extremamente importante pra os dias de hoje, onde as pessoas parecem levar menos a sério o sacramento do matrimônio. Ainda me lembro quando nas bodas de ouro deles, comovido, pensei: “Quero construir uma família assim também!”

Essa foi, enfim, a história de um homem como poucos. De um homem que deixa aqui a esposa dedicada, mãe (e avó) perfeita, os filhos formados, a família e os amigos saudosos e deixa um grande exemplo que nos enche de orgulho e o qual tentaremos perpetuar.

De um homem que agora inicia uma jornada merecida para sua eternidade. De um homem que na noite do dia 6 de maio me fez a seguinte revelação, vou relatá-la na íntegra:

Eu comecei assim falando:
– Voinho, o senhor passa tanto tempo aí deitado que acaba perdendo a noção do tempo. E como são apenas duas visitas por dia, acho bom lhe falar que voinha está vindo aqui religiosamente todos os dias, a todo tempo ela quer saber como o senhor está
– E é? Ele respondeu. “Eu a escolhi bem, não foi?”, completou.

Após um silêncio, ele em tom mais sério, perguntou.
– Meu filho, posso lhe falar uma coisa do fundo do meu coração?
– Lógico “vô” fale.
– Eu sei que ELA já sabe disso. Mas se puder avise a todos o quanto eu amava Zitinha. Minha vida teve um sentido especial por conta dela. Ela nem precisava ter me dado filhos e eu já estaria satisfeito. Mas me deu filhos lindos. Tudo o que eu sou, o que conquistei, eu devo a ELA. E essa tranqüilidade, em momentos como o que estou, traz um conforto muito grande.

Obrigado é o melhor que agora posso lhe dizer. Obrigado pela lição sobre valores. Obrigado pelo exemplo de chefe familiar. Obrigado por ter deixado um Norte para as nossas bússolas. Obrigado pelo grande homem, pelo avô, pelo pai, pelo amigo...

Faço minhas as palavras do advogado Manoel Maia:

“Quando partires num vôo só para a eternidade,
Não te esqueças, leva dentro de ti,
A minha infinita e descontrolada saudade”

quinta-feira, 10 de maio de 2007

Tatuagens





“Cada um que passa em nossa vida...
leva um pouco de nós,deixa um pouco de si”


Com meu PAI, aprendi a respeitar as diferenças, a procurar ter bom-senso, a ter retidão de caráter e curtir cada minuto precioso da vida;

Com RONY, meu cachorro, a ser incondicionalmente leal aos amigos e que mesmo pequenas despedidas podem ser a ultima vez q veremos alguém (n é à toa a festa q ele fazia qd voltávamos pra casa).

Com a MAGRICELA, a admirar mais o bom-humor. Com ANNAH, a força; e com BRUNA GAMA, a alegria intensa de viver.

Com BACELAR, a ser educado, tratar todas as pessoas indistintamente com igualdade e carinho e também “oq eu queria ser qd crescer” (ele foi e é meu norte).

Com BRENDA, uma das coisas mais marcantes: sempre ver a vida pelo lado positivo, todas as situações podem ser encaradas assim.

Com MARISA, minha empregada-filósofa, aprendi a definição real da palavra “SÁBIO”: tornar a sua vida o mais agradável possível, independente das dificuldades.

Com PAULINHA, aprendi a admirar a inteligência; com meu AVÔ e com COUTINHO (eterno professor), a cultura. Com minhas AVÓS, que o sexo oposto pode atingir um nível de beleza sublime.

Com GERSON, o valor da amizade sincera; e com sua família, a primeira vez q descobrir a importância de um sólido e saudável alicerce familiar.

Com ROMMEL, a ser mais intenso, a saber ser “idiota” e sério nas horas certas e a ter mais responsabilidade pelo paciente. E com sua mãe, RISOLIS, que o parceiro ideal pra casar é aquele que dá vontade de conversar com ele por toda a vida.

Com KARINA que posso admirar e amar alguém mais do que a mim mesmo.

Com DISSAPEAR a ter obstinação inquebrantável por nossos objetivos, e descobri o irmão q queria ter.

Com FREDÃO, a demorar mais a dizer que algo não pode ser feito. E meu querido ANDRÉ NOVAES, que existem pessoas q simplesmente gostamos de graça.

Com RAIO a admirar a cumplicidade e o altruísmo. E JU EGITO a almejar adquirir sua nobre espirituosidade.

Com ALEXANDRE, a ter sensibilidade. Com PAULO SOBOTTA a ser mais prestativo.

E TITO me ensinou praticamente tudo isso acima e mais sobre simplicidade, excelente profissionalismo e administração. Com sua mãe, DUDU, q devemos encarar a formação de nossos filhos como um investimento.

Enfim, com minha MÃE descobri que amor à primeira vista realmente existe e além disso que ele pode atingir um patamar além do compreensível.

Vcs deixaram marcas em mim. E por pura e sincera gratidão, rendo-vos esta homenagem. Pretendo, inclusive, colocar um pouquinho de vcs em meus filhos tb....

sábado, 5 de maio de 2007

Os funcionários...





“Nas favelas, no Senado
Sujeira pra todo lado
Ninguém respeita Constituição
Mas todos acreditam no futuro da nação
Que país é esse?”

Será que vocês conseguem encontrar o que há de comum entre o besouro e o Japão?


A estrutura física do besouro não apresenta aerodinâmica adequada para o vôo, apesar disso ele o faz com muita eficiência: voa de frente, de costas, pra cima, consegue inclusive parar no ar; o Japão também: sua estrutura física não é auto-sustentável em recursos naturais (inclusive totalmente desprovido de petróleo), apesar disso impressionantemente consegue ser a segunda potência econômica mundial.

Esse é um dado inquietante. Se o Japão não tem nada, tem de comprar tudo dos outros, como consegue ter economia tão invejável? Todos os outros seis países do G7 (grupo dos mais ricos: EUA, ING, FRA, ALE, CAN e ITA) são providos de muitos recursos naturais. Os BRIC, quatro países mais emergentes (Brasil, Rússia, Índia e China), também. Isso seria uma conditio sine qua non para ser um destaque econômico mundial. O Japão vai à contramão dessa premissa. Já pararam pra refletir o porquê disso? O QUE O JAPÃO TEM? Como ele faz isso? Se quiséssemos copiá-lo em que deveríamos focar? Se nós comparássemos os países com empresas ficará mais fácil entender as nuanças que levam a “empresa Japão” ter tanto sucesso e por paralelismo entender por que a “empresa Brasil” com tantas condições mais favoráveis cresce tão pouco. O sucesso de um e o insucesso do outro recaem sobre o mesmo motivo: seus funcionários...

Para o insucesso brasileiro muitos imputarão ao modo exploratório de nossa colonização portuguesa. Decerto esse fato tem suma importância, mas não é o único e após quase 200 anos de independência já não é o mais importante. Estou convencido, que o pior do Brasil, o seu maior entrave, são justamente nós mesmos. O Povo.

João Ubaldo Ribeiro afirmou: “O problema não está no ladrão corrupto que foi Collor, ou na farsa que é o Lula. O problema está em nós. Nós como matéria prima de um país”.

Somos péssimos. Péssimos como povo. Todos nós. Infelizmente, em maior ou menor grau, não escapamos ninguém. Temos em nossa cultura maus hábitos enraizados. Somos o país dos maus hábitos propagados. E o pior: por serem tão corriqueiros os encaramos como “normais”. Veja que coisa grotescamente idiota: praticamente todos nós jogamos lixo na rua, é lata de refrigerante, papel amassado, um chicletinho, bitucas de cigarro. Se fôssemos coerentes também manteríamos essa mesma atitude em nossas próprias casas, mas não, fazemos isso apenas na rua; ora, mas e a rua não é nossa casa também? Só esse simples ato, corriqueiro, define muito quem somos. E o mais incompreensível. Quando viajamos pra fora, não só não sujamos a “casa” alheia, como é de praxe enaltecer a limpeza e a educação deles. Sem falar que ainda degradamos os nossos ônibus, os nossos orelhões...

Louvemos nossa descortesia. Somos um país onde expressões de civilidade não são estimuladas: “bom dia”, “boa tarde”, ”por favor”, “com licença”. Pessoas não se cumprimentam cordialmente, e às vezes nem retribuem um cumprimento. País dos que não têm modos ao falar no telefone. País onde se vota sem compromisso algum, quando não são torpemente vendidos. País onde – pasmem – a pontualidade é vista com maus olhos, já aprendemos que quando se marca algo com alguém as 15h na verdade é pra se chegar as 16h, pois se chegarmos as 15h provavelmente o outro nem estará pronto ainda. O erro começa na própria definição do que é ser pontual, ser pontual não é, como todos pensamos, chegar EXATAMENTE na hora marcada, mas como afirma o educador Rubem Franca: “... é chegar um POUCO ANTES da hora para estar na hora” – ele ainda complementa – “Impontualidade é sinônimo de desrespeito, desorganização, indisciplina e subdesenvolvimento!!"

Enalteçamos nossa “finesse”. Somos um país que almoçamos numa praça de alimentação e ao terminarmos não tiramos os pratos sujos da mesa; somos um país que escovamos os dentes com a torneira aberta, dos banhos intermináveis, que quando chegamos em casa acendemos todas as luzes (talvez haja um medo coletivo de escuro, não sei). Somos um país que 15% da comida de casa termina no lixo. Água, luz, comida, parecem pequenos desperdícios para sua casa, mas quando os multiplicamos por milhões de “funcionários” brasileiros conseguimos frear a “nossa empresa” – o Brasil. Sem falar, onde no país das ESPERTEZAS, usamos ‘macacos’ pra roubar luz, ‘gatos’ pra roubar o telefone do vizinho. Onde milhares tentam dissimular doenças pra já entrar na aposentadoria. Somos maestros em desrespeitar as leis de trânsito, e se formos pegos: sem problema, é fácil não ser multado é só pra o guarda de trânsito perguntar “veja aí o que você pode fazer”. Somos um país que existe a prioridade pelo o carro, não pelo pedestre. Inclusive existe a convicção que se um pedestre atravessar fora da faixa os motoristas “têm” o direito de “passar por cima”, ou no mínimo de poder dar um susto acelerando o carro um pouco mais. Um país do desrespeito aos idosos, a qualquer tipo de fila, aos deficientes...

Exaltemos nossa morosidade. Não somos decididamente um povo trabalhador. É de conhecimento mundial que nas faixas litorâneas dos países o índice de trabalho é menor. E o que esperar de um país onde há quase 8000 km de costa? Além de não trabalharmos com intensidade as 8 horas, ainda temos uma grande quantidade de feriados nacionais: 11. E acabamos de criar outro agora: 11 de maio em homenagem a canonização de Frei Galvão (calma só a partir do ano q vem). Sem contar os feriados restritos aos municípios e aos estados (aqui em PE temos mais 3: São João, Nossa Senhora do Carmo e o de Nossa Senhora da Conceição). É verdade, há países com mais feriados: a Bélgica, por exemplo, tem 20; o Japão, 15; mas em contrapartida nenhum outro país pára tanto. Por quê? Nós somos o único em que ocorre os “prensamentos”: caiu na terça ou na quinta, pronto virou feriadão. E ainda tem o carnaval, as micarandes... não vou, no entanto, ser hipócrita em dizer que não gosto. Adoro! Pra mim não há nada melhor que um feriadão. Mas lembrem-se sou brasileiro como vocês e preguiçoso também. Porém, pra “empresa Brasil” não é tão bom, estima-se que apenas no varejo carioca haja um prejuízo da ordem de R$1 bilhão com cada dia de comércio fechado.

Enfim, somos um país cheio de pequenos atos errados culturais. Atos que legamos aos nossos descendentes. E também essencialmente medíocres e hipócritas: pois prontamente criticamos os erros alheios, muitos que fazemos igual. Bradamos com veemência “essa Cidade está muito suja”, “essa conta de luz cada vez mais cara”, mas pouco fazemos pra reverter isso. Sem falar que nada nos dar mais prazer do que escarnecer os nossos políticos. Estou convencido que estes políticos conseguem cumprir seu papel teórico: ser um espelho de nossa sociedade. Pensando bem, eles nos representam fielmente, se a desonestidade é uma marca de nosso povo, como, então, eles poderiam ser diferentes?

Compomos, ainda, um país dos valores poluídos. Onde um “alemão” (do BBB) caiu nas graças de todos, mas o que ele fez pra nossa pronta identificação? Ficou numa casa por meses sem fazer nada, praticou a poligamia escancarada e pior que as envolvidas pouco se incomodaram. E o Brasil inteiro o tem como ídolo e o mais estranho: é enaltecido como de retidão ética. Olhe o ensinamento para as pessoas do que ele representa: o cara aprontou, ganhou um milhão, e ainda é ídolo. Realmente como podemos esperar atitudes éticas e honestidade de um povo que tem ídolos como esses?

“Que país é esse?”

Ademais, o mais grotesco. Parece que estamos piorando. Perdemos a capacidade de nos indignarmos. O Governo Lula está sendo indubitavelmente mais corrupto que a era Collor, e não vimos nenhum "cara-pintada". Ao contrário, quanto mais sujeiras surgem mais seu índice de popularidade cresce. O que está acontecendo? Mesmo após a denúncia do sóbrio procurador-geral da República, Antônio Fernando Souza, contra o ''engenhoso esquema de desvio de recursos de órgãos públicos'', o mensalão, onde toda a antiga cúpula do governo foi indiciada por formação de quadrilha, lavagem de dinheiro, evasão de divisas, corrupção passiva e ativa e peculato, nada foi feito. A mais ínfima revoltazinha sequer.

Esses fatos estimularam o filósofo Mangabeira Unger a escrever:

“Afirmo que o governo Lula é o mais corrupto de nossa história nacional. Corrupção tanto mais nefasta por servir à compra de congressistas, à politização da Polícia Federal...

As provas acumuladas de seu envolvimento em crimes de responsabilidade podem ainda não bastar para assegurar sua condenação em juízo. Já são, porém, mais do que suficientes para atender ao critério constitucional do impedimento”

Precisava apenas o respaldo da comoção popular, mas como já sabemos... nas ruas, nenhuma manifestaçãozinha. Estava faltando apenas nosso papel, nossa revolta, nosso sentimento de indignação. Ao invés de sairmos à rua: abaixando a cabeça nos acovardamos. Optamos por nos resignar com o irresignável. Com a reeleição do presidente nos tornamos cúmplices, compactuamos com crime, fomos coniventes com “o governo mais corrupto de nossa história”. E pensar que com o Collor fomos infinitamente mais rigorosos. Nós o destituímos após ser provado seu benefício com um Fiatzinho Elba, e com reformas da casa da Dinda. Parece brincadeira comparando com hoje.

O que está acontecendo conosco? Sabemos que está errado, mas nada fazemos para mudar.

Darwin em abril de 1832 (10 anos após nossa independência) quando aportou no Brasil com seu Beagle, escreveu em seu diário: “Os brasileiros, até onde sou capaz de julgar, possuem apenas uma pequena porção das qualidades que conferem dignidade à humanidade

O povo perde sua dignidade quando não luta pela sua consciência, pelos seus ideais. Se não já tínhamos muita, como julgou Darwin, realmente parece que estamos piorando. E, por isso, talvez a hora de nossa putrefação moral deva estar cada vez mais próxima. Tornamo-nos, assim, mortos-vivos... Envergonhemo-nos.

Um minuto de silêncio para nós mesmos...

Todo ser humano se espelha em outras pessoas. Geralmente os líderes políticos e religiosos resolvem muito bem essa necessidade. Por isso, é tão preocupante dimensionar a longo prazo a má-influência subliminar nas pessoas do próprio Lula, veja o que o exemplo dele nos ensina:

1) Que a ética não existe. A bandeira da ética sempre foi levantada pelo petismo como dogmática, mas ao assumir o poder...

2) Desestimulo a leitura e a cultura. Ode à ignorância. O próprio Lula comparou ler “a andar de esteira (!!) por ser muito chato ler”

3) E que todos estavam errados: o crime compensa sim.

Surpreende imaginar como ele conseguiu ficar blindado a tudo isso: tanto da oposição quanto do povo que nada perdoava? Conseguiu da pior forma: comprando as pessoas. Seja a compra de parlamentares que todos já sabemos os detalhes e a compra do povo. Sim, isso mesmo, fomos comprados também. Mas a compra do povo foi feita camuflada com medidas demagógicas geniais, cito apenas duas.

A primeira. O BOLSA-FAMÍLIA. Tem o intuito de destinar uma quantia mensal para as famílias mais pobres, com a finalidade elogiável de diminuir as maiores dificuldades da penúria. Por isso poderíamos encará-lo como O MENSALÃO-DO-POVO. No interior onde trabalho é muito comum encontrar pais de família que hoje não mais trabalham, tornaram-se POR OPÇÃO “bolsa-familia-dependentes”. Por quê? Luis Gonzaga já alertava: “..mas doutor, uma esmola pra um homem que é são/ ou lhe mata de vergonha ou vicia o cidadão”. Conhecendo o estilo de Lula em exercer sua influência, será q ele não estava mais preocupado nos 25 milhões de eleitores (dos 125 milhões totais) que hoje são dependentes do bolsa-família e assim facilitar demasiado sua reeleição?

A segunda. No primeiro mandato, o presidente no quesito Educação, optou por privilegiar o ensino superior ou “abrir a universidade para o povo” como mesmo falou. Por isso que Cristovam Buarque desistiu, este acertadamente preferia outro foco: a educação básica. Já pararam pra pensar por que Lula preferiu o ensino superior? Simples, o berçário dos “cara-pintadas” é justamente nas universidades e o principal: as criancinhas ainda não votam no Brasil. E Lula à época ainda precisava ser reeleito. O estapafúrdio sistema de cotas surgiu nessa mesma época. Imagina se a moda pega “Xuxa Meneghel é obrigada a reservar 50% das vagas de paquita para afro-descendentes”.

“Que país é esse?”

“Deus criou o mundo cheio de dificuldades. Furacões na América do Norte, tsunamis no leste asiático, terremotos no Japão, Europa marcada por guerras. Resolveu, então, criar um País maravilhoso: repleto de água pura, paisagens belíssimas, a Amazônia, o Pantanal, Fernando de Noronha... ia criando sem parar qd um anjo assistente pergunta: "Não é muita discriminação? O mundo inteiro se explode e só nesse lugar estão todas as maravilhas da natureza?
- Aí Deus responde: Você não sabe, pra compensar, o povinho que eu vou botar ali.”

É isso mesmo que nós somos: um país maravilhoso. O Japão não tem nada, e mesmo assim apenas pelo compromisso de seus funcionários, nos dá um banho não só de desenvolvimento econômico quanto humano também. Nós, contudo, não: temos quase tudo à disposição. Fartos em recursos e belezas naturais, ausência de intempéries. Menos o principal: funcionários honestos e eficientes.

Por isso, como poderemos ser o país do futuro, se nós mesmos não temos futuro? Se somos o país do trabalho informal, cuja maioria dos que trabalham não tem um futuro assegurado com os direitos trabalhistas? Se nossas crianças não tem uma educação de qualidade como é de direito? Se o povo é essencialmente hipócrita, desonesto e mal-educado, e nem se dá conta disso? Se nós temos Lula como exemplo a ser seguido? Se descemos ladeira abaixo na delapidação de nossa ética e moral? Se somos o “país dos impostos” que tanto sufocam o já arquejado povo, onde de cada R$1,00 comprado, no mínimo, R$0,40 são para o governo, entre outras coisas, comprar você, eu, nossa “fidelidade”? Sem falar que pagamos impostos dobrados: o infrutífero público e o privado (plano se saúde, escola particular, previdência privada, etc) pra remendar. E pra sobreviver com o que sobra só sendo mesmo malabaristas ou mágicos, apesar de ter noção que estamos mesmo mais para palhaços; e, por tudo isso, ainda aguardo o dia que Lula mais coerentemente começará seus discursos assim: ”Hoje tem goiabada? Tem, sim, senhor. Hoje tem MARMELADA? Tem, sim, senhor.... Respeitável público...”

Espero que quando você sair a rua hoje e olhar os outros “funcionários” como você, pense um pouco a respeito disso.

E enquanto não fizermos uma revolução em nós mesmos, continuaremos sendo um país ótimo de visitar, mas péssimo de morar. Ademais, acreditar no futuro dessa “empresa” será , por enquanto, apenas uma grande ilusão.