
“Nas favelas, no Senado
Sujeira pra todo lado
Ninguém respeita Constituição
Mas todos acreditam no futuro da nação
Que país é esse?”
Será que vocês conseguem encontrar o que há de comum entre o besouro e o Japão?
A estrutura física do besouro não apresenta aerodinâmica adequada para o vôo, apesar disso ele o faz com muita eficiência: voa de frente, de costas, pra cima, consegue inclusive parar no ar; o Japão também: sua estrutura física não é auto-sustentável em recursos naturais (inclusive totalmente desprovido de petróleo), apesar disso impressionantemente consegue ser a segunda potência econômica mundial.
Esse é um dado inquietante. Se o Japão não tem nada, tem de comprar tudo dos outros, como consegue ter economia tão invejável? Todos os outros seis países do G7 (grupo dos mais ricos: EUA, ING, FRA, ALE, CAN e ITA) são providos de muitos recursos naturais. Os BRIC, quatro países mais emergentes (Brasil, Rússia, Índia e China), também. Isso seria uma conditio sine qua non para ser um destaque econômico mundial. O Japão vai à contramão dessa premissa. Já pararam pra refletir o porquê disso? O QUE O JAPÃO TEM? Como ele faz isso? Se quiséssemos copiá-lo em que deveríamos focar? Se nós comparássemos os países com empresas ficará mais fácil entender as nuanças que levam a “empresa Japão” ter tanto sucesso e por paralelismo entender por que a “empresa Brasil” com tantas condições mais favoráveis cresce tão pouco. O sucesso de um e o insucesso do outro recaem sobre o mesmo motivo: seus funcionários...
Para o insucesso brasileiro muitos imputarão ao modo exploratório de nossa colonização portuguesa. Decerto esse fato tem suma importância, mas não é o único e após quase 200 anos de independência já não é o mais importante. Estou convencido, que o pior do Brasil, o seu maior entrave, são justamente nós mesmos. O Povo.
João Ubaldo Ribeiro afirmou: “O problema não está no ladrão corrupto que foi Collor, ou na farsa que é o Lula. O problema está em nós. Nós como matéria prima de um país”.
Somos péssimos. Péssimos como povo. Todos nós. Infelizmente, em maior ou menor grau, não escapamos ninguém. Temos em nossa cultura maus hábitos enraizados. Somos o país dos maus hábitos propagados. E o pior: por serem tão corriqueiros os encaramos como “normais”. Veja que coisa grotescamente idiota: praticamente todos nós jogamos lixo na rua, é lata de refrigerante, papel amassado, um chicletinho, bitucas de cigarro. Se fôssemos coerentes também manteríamos essa mesma atitude em nossas próprias casas, mas não, fazemos isso apenas na rua; ora, mas e a rua não é nossa casa também? Só esse simples ato, corriqueiro, define muito quem somos. E o mais incompreensível. Quando viajamos pra fora, não só não sujamos a “casa” alheia, como é de praxe enaltecer a limpeza e a educação deles. Sem falar que ainda degradamos os nossos ônibus, os nossos orelhões...
Louvemos nossa descortesia. Somos um país onde expressões de civilidade não são estimuladas: “bom dia”, “boa tarde”, ”por favor”, “com licença”. Pessoas não se cumprimentam cordialmente, e às vezes nem retribuem um cumprimento. País dos que não têm modos ao falar no telefone. País onde se vota sem compromisso algum, quando não são torpemente vendidos. País onde – pasmem – a pontualidade é vista com maus olhos, já aprendemos que quando se marca algo com alguém as 15h na verdade é pra se chegar as 16h, pois se chegarmos as 15h provavelmente o outro nem estará pronto ainda. O erro começa na própria definição do que é ser pontual, ser pontual não é, como todos pensamos, chegar EXATAMENTE na hora marcada, mas como afirma o educador Rubem Franca: “... é chegar um POUCO ANTES da hora para estar na hora” – ele ainda complementa – “Impontualidade é sinônimo de desrespeito, desorganização, indisciplina e subdesenvolvimento!!"
Enalteçamos nossa “finesse”. Somos um país que almoçamos numa praça de alimentação e ao terminarmos não tiramos os pratos sujos da mesa; somos um país que escovamos os dentes com a torneira aberta, dos banhos intermináveis, que quando chegamos em casa acendemos todas as luzes (talvez haja um medo coletivo de escuro, não sei). Somos um país que 15% da comida de casa termina no lixo. Água, luz, comida, parecem pequenos desperdícios para sua casa, mas quando os multiplicamos por milhões de “funcionários” brasileiros conseguimos frear a “nossa empresa” – o Brasil. Sem falar, onde no país das ESPERTEZAS, usamos ‘macacos’ pra roubar luz, ‘gatos’ pra roubar o telefone do vizinho. Onde milhares tentam dissimular doenças pra já entrar na aposentadoria. Somos maestros em desrespeitar as leis de trânsito, e se formos pegos: sem problema, é fácil não ser multado é só pra o guarda de trânsito perguntar “veja aí o que você pode fazer”. Somos um país que existe a prioridade pelo o carro, não pelo pedestre. Inclusive existe a convicção que se um pedestre atravessar fora da faixa os motoristas “têm” o direito de “passar por cima”, ou no mínimo de poder dar um susto acelerando o carro um pouco mais. Um país do desrespeito aos idosos, a qualquer tipo de fila, aos deficientes...
Exaltemos nossa morosidade. Não somos decididamente um povo trabalhador. É de conhecimento mundial que nas faixas litorâneas dos países o índice de trabalho é menor. E o que esperar de um país onde há quase 8000 km de costa? Além de não trabalharmos com intensidade as 8 horas, ainda temos uma grande quantidade de feriados nacionais: 11. E acabamos de criar outro agora: 11 de maio em homenagem a canonização de Frei Galvão (calma só a partir do ano q vem). Sem contar os feriados restritos aos municípios e aos estados (aqui em PE temos mais 3: São João, Nossa Senhora do Carmo e o de Nossa Senhora da Conceição). É verdade, há países com mais feriados: a Bélgica, por exemplo, tem 20; o Japão, 15; mas em contrapartida nenhum outro país pára tanto. Por quê? Nós somos o único em que ocorre os “prensamentos”: caiu na terça ou na quinta, pronto virou feriadão. E ainda tem o carnaval, as micarandes... não vou, no entanto, ser hipócrita em dizer que não gosto. Adoro! Pra mim não há nada melhor que um feriadão. Mas lembrem-se sou brasileiro como vocês e preguiçoso também. Porém, pra “empresa Brasil” não é tão bom, estima-se que apenas no varejo carioca haja um prejuízo da ordem de R$1 bilhão com cada dia de comércio fechado.
Enfim, somos um país cheio de pequenos atos errados culturais. Atos que legamos aos nossos descendentes. E também essencialmente medíocres e hipócritas: pois prontamente criticamos os erros alheios, muitos que fazemos igual. Bradamos com veemência “essa Cidade está muito suja”, “essa conta de luz cada vez mais cara”, mas pouco fazemos pra reverter isso. Sem falar que nada nos dar mais prazer do que escarnecer os nossos políticos. Estou convencido que estes políticos conseguem cumprir seu papel teórico: ser um espelho de nossa sociedade. Pensando bem, eles nos representam fielmente, se a desonestidade é uma marca de nosso povo, como, então, eles poderiam ser diferentes?
Compomos, ainda, um país dos valores poluídos. Onde um “alemão” (do BBB) caiu nas graças de todos, mas o que ele fez pra nossa pronta identificação? Ficou numa casa por meses sem fazer nada, praticou a poligamia escancarada e pior que as envolvidas pouco se incomodaram. E o Brasil inteiro o tem como ídolo e o mais estranho: é enaltecido como de retidão ética. Olhe o ensinamento para as pessoas do que ele representa: o cara aprontou, ganhou um milhão, e ainda é ídolo. Realmente como podemos esperar atitudes éticas e honestidade de um povo que tem ídolos como esses?
“Que país é esse?”
Ademais, o mais grotesco. Parece que estamos piorando. Perdemos a capacidade de nos indignarmos. O Governo Lula está sendo indubitavelmente mais corrupto que a era Collor, e não vimos nenhum "cara-pintada". Ao contrário, quanto mais sujeiras surgem mais seu índice de popularidade cresce. O que está acontecendo? Mesmo após a denúncia do sóbrio procurador-geral da República, Antônio Fernando Souza, contra o ''engenhoso esquema de desvio de recursos de órgãos públicos'', o mensalão, onde toda a antiga cúpula do governo foi indiciada por formação de quadrilha, lavagem de dinheiro, evasão de divisas, corrupção passiva e ativa e peculato, nada foi feito. A mais ínfima revoltazinha sequer.
Esses fatos estimularam o filósofo Mangabeira Unger a escrever:
“Afirmo que o governo Lula é o mais corrupto de nossa história nacional. Corrupção tanto mais nefasta por servir à compra de congressistas, à politização da Polícia Federal...
As provas acumuladas de seu envolvimento em crimes de responsabilidade podem ainda não bastar para assegurar sua condenação em juízo. Já são, porém, mais do que suficientes para atender ao critério constitucional do impedimento”
Precisava apenas o respaldo da comoção popular, mas como já sabemos... nas ruas, nenhuma manifestaçãozinha. Estava faltando apenas nosso papel, nossa revolta, nosso sentimento de indignação. Ao invés de sairmos à rua: abaixando a cabeça nos acovardamos. Optamos por nos resignar com o irresignável. Com a reeleição do presidente nos tornamos cúmplices, compactuamos com crime, fomos coniventes com “o governo mais corrupto de nossa história”. E pensar que com o Collor fomos infinitamente mais rigorosos. Nós o destituímos após ser provado seu benefício com um Fiatzinho Elba, e com reformas da casa da Dinda. Parece brincadeira comparando com hoje.
O que está acontecendo conosco? Sabemos que está errado, mas nada fazemos para mudar.
Darwin em abril de 1832 (10 anos após nossa independência) quando aportou no Brasil com seu Beagle, escreveu em seu diário: “Os brasileiros, até onde sou capaz de julgar, possuem apenas uma pequena porção das qualidades que conferem dignidade à humanidade”
O povo perde sua dignidade quando não luta pela sua consciência, pelos seus ideais. Se não já tínhamos muita, como julgou Darwin, realmente parece que estamos piorando. E, por isso, talvez a hora de nossa putrefação moral deva estar cada vez mais próxima. Tornamo-nos, assim, mortos-vivos... Envergonhemo-nos.
Um minuto de silêncio para nós mesmos...
Todo ser humano se espelha em outras pessoas. Geralmente os líderes políticos e religiosos resolvem muito bem essa necessidade. Por isso, é tão preocupante dimensionar a longo prazo a má-influência subliminar nas pessoas do próprio Lula, veja o que o exemplo dele nos ensina:
1) Que a ética não existe. A bandeira da ética sempre foi levantada pelo petismo como dogmática, mas ao assumir o poder...
2) Desestimulo a leitura e a cultura. Ode à ignorância. O próprio Lula comparou ler “a andar de esteira (!!) por ser muito chato ler”
3) E que todos estavam errados: o crime compensa sim.
Surpreende imaginar como ele conseguiu ficar blindado a tudo isso: tanto da oposição quanto do povo que nada perdoava? Conseguiu da pior forma: comprando as pessoas. Seja a compra de parlamentares que todos já sabemos os detalhes e a compra do povo. Sim, isso mesmo, fomos comprados também. Mas a compra do povo foi feita camuflada com medidas demagógicas geniais, cito apenas duas.
A primeira. O BOLSA-FAMÍLIA. Tem o intuito de destinar uma quantia mensal para as famílias mais pobres, com a finalidade elogiável de diminuir as maiores dificuldades da penúria. Por isso poderíamos encará-lo como O MENSALÃO-DO-POVO. No interior onde trabalho é muito comum encontrar pais de família que hoje não mais trabalham, tornaram-se POR OPÇÃO “bolsa-familia-dependentes”. Por quê? Luis Gonzaga já alertava: “..mas doutor, uma esmola pra um homem que é são/ ou lhe mata de vergonha ou vicia o cidadão”. Conhecendo o estilo de Lula em exercer sua influência, será q ele não estava mais preocupado nos 25 milhões de eleitores (dos 125 milhões totais) que hoje são dependentes do bolsa-família e assim facilitar demasiado sua reeleição?
A segunda. No primeiro mandato, o presidente no quesito Educação, optou por privilegiar o ensino superior ou “abrir a universidade para o povo” como mesmo falou. Por isso que Cristovam Buarque desistiu, este acertadamente preferia outro foco: a educação básica. Já pararam pra pensar por que Lula preferiu o ensino superior? Simples, o berçário dos “cara-pintadas” é justamente nas universidades e o principal: as criancinhas ainda não votam no Brasil. E Lula à época ainda precisava ser reeleito. O estapafúrdio sistema de cotas surgiu nessa mesma época. Imagina se a moda pega “Xuxa Meneghel é obrigada a reservar 50% das vagas de paquita para afro-descendentes”.
“Que país é esse?”
“Deus criou o mundo cheio de dificuldades. Furacões na América do Norte, tsunamis no leste asiático, terremotos no Japão, Europa marcada por guerras. Resolveu, então, criar um País maravilhoso: repleto de água pura, paisagens belíssimas, a Amazônia, o Pantanal, Fernando de Noronha... ia criando sem parar qd um anjo assistente pergunta: "Não é muita discriminação? O mundo inteiro se explode e só nesse lugar estão todas as maravilhas da natureza?
- Aí Deus responde: Você não sabe, pra compensar, o povinho que eu vou botar ali.”
É isso mesmo que nós somos: um país maravilhoso. O Japão não tem nada, e mesmo assim apenas pelo compromisso de seus funcionários, nos dá um banho não só de desenvolvimento econômico quanto humano também. Nós, contudo, não: temos quase tudo à disposição. Fartos em recursos e belezas naturais, ausência de intempéries. Menos o principal: funcionários honestos e eficientes.
Por isso, como poderemos ser o país do futuro, se nós mesmos não temos futuro? Se somos o país do trabalho informal, cuja maioria dos que trabalham não tem um futuro assegurado com os direitos trabalhistas? Se nossas crianças não tem uma educação de qualidade como é de direito? Se o povo é essencialmente hipócrita, desonesto e mal-educado, e nem se dá conta disso? Se nós temos Lula como exemplo a ser seguido? Se descemos ladeira abaixo na delapidação de nossa ética e moral? Se somos o “país dos impostos” que tanto sufocam o já arquejado povo, onde de cada R$1,00 comprado, no mínimo, R$0,40 são para o governo, entre outras coisas, comprar você, eu, nossa “fidelidade”? Sem falar que pagamos impostos dobrados: o infrutífero público e o privado (plano se saúde, escola particular, previdência privada, etc) pra remendar. E pra sobreviver com o que sobra só sendo mesmo malabaristas ou mágicos, apesar de ter noção que estamos mesmo mais para palhaços; e, por tudo isso, ainda aguardo o dia que Lula mais coerentemente começará seus discursos assim: ”Hoje tem goiabada? Tem, sim, senhor. Hoje tem MARMELADA? Tem, sim, senhor.... Respeitável público...”
Espero que quando você sair a rua hoje e olhar os outros “funcionários” como você, pense um pouco a respeito disso.
E enquanto não fizermos uma revolução em nós mesmos, continuaremos sendo um país ótimo de visitar, mas péssimo de morar. Ademais, acreditar no futuro dessa “empresa” será , por enquanto, apenas uma grande ilusão.
2 comentários:
Simplesmente fantásticooo!
"É preciso causar impacto para se alcançar um grande resultado resultado".
Espero q os outros tb sintam-se chocados ao ler. O mais impressionante é o próprio povo, q se diz insatisfeito com as condições sociais e econômicas do país, não fazer nenhum esforço para tentar mudar a qualidade de vida e nem mesmo uma mera demonstração de inquietude.
Acredito que a preocupação com o hoje e o amanhã faz parte de ser um bom cidadão. Se pensássemos todos assim...
Simplesmente fantastico é vc meu amor!!!
Eu q só tenho a agradecer por vc me deixar dividir um pouco de seu cotidiano, divisão essa fundamental pra meu bem-estar e pra minha "inspiração".
Obrigado por tudo!!
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